No coração do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, existe uma cidade subterrânea que desafia os limites da engenharia. A Mina Cuiabá, localizada em Sabará, ostenta o título de maior mina de ouro do Brasil em profundidade, alcançando marcas que superam os 1.600 metros abaixo da superfície.
O quão profunda é essa operação?
Para se ter uma ideia da escala, a profundidade da mina é quase o dobro da altura do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo. Se em Dubai os arranha-céus tocam as nuvens, em Sabará a tecnologia permite mergulhar na crosta terrestre para extrair riqueza.
Operado pela AngloGold Ashanti, esse complexo subterrâneo não parou no tempo. Pelo contrário, continua em pleno ciclo de expansão. Trabalhar a mais de 1,6 km de profundidade exige lidar com desafios físicos extremos, como o aumento natural da temperatura da rocha e a necessidade de sistemas de ventilação colossais.

Por que investir bilhões em uma mina tão profunda?
A resposta está na geologia. A profundidade permite acessar corpos minerais “maduros” e de alto teor que garantem a continuidade da produção. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a operação em Sabará é uma referência nacional justamente por conseguir manter a viabilidade econômica e a segurança em condições tão adversas.
Para sustentar essa logística vertical, a empresa investe pesado em modernização. Confira os pilares que mantêm essa gigante funcionando:
| Tecnologia | Função na Mina | Benefício Real |
|---|---|---|
| Veículos Elétricos | Transporte no subsolo | Menos calor e zero emissões |
| Telemetria | Controle remoto | Segurança da equipe |
| Ventilação | Refrigeração massiva | Viabilidade humana a 1.600 m |
| Automação | Operação de máquinas | Precisão no desmonte |
Como a frota elétrica muda o jogo no subsolo?
Um dos maiores inimigos da mineração profunda é o calor. Motores a diesel tradicionais geram muito aquecimento e exigem ventilação extra para dispersar gases. A solução encontrada foi a eletrificação.
A AngloGold Ashanti iniciou a implementação de carregadeiras e caminhões elétricos, com a meta de expandir progressivamente essa frota até 2027. Além de sustentável, essa mudança reduz a temperatura nas galerias e melhora a qualidade do ar para os operadores.
Para validar a importância estratégica desse ativo, autoridades frequentam o local. Conforme registrado em visita oficial do Ministro de Minas e Energia, a planta serve como modelo de como a mineração brasileira pode aliar produtividade com tecnologias de baixo carbono.

O que garante o futuro da mina por décadas?
Longevidade na mineração depende de “disciplina de capital”. Isso significa investir hoje para ter acesso ao minério daqui a dez ou vinte anos. A expansão das galerias em Sabará segue um planejamento rigoroso que combina:
- Sondagem geológica de precisão para evitar surpresas;
- Gestão de rejeitos integrada ao licenciamento ambiental;
- Automação para retirar pessoas de áreas de risco imediato.
Qual o impacto econômico para Minas Gerais?
A mina não é uma ilha; ela movimenta uma cadeia complexa. Desde serviços de manutenção pesada até alimentação e transporte, a operação em Sabará gera milhares de empregos diretos e indiretos.
Ao garantir a extração de ouro por mais décadas, o projeto assegura que os royalties e a massa salarial continuem irrigando a economia da Região Metropolitana de Belo Horizonte, provando que é possível descer cada vez mais fundo com responsabilidade e tecnologia de ponta.