O uso da areia do deserto na construção civil é a nova aposta de cientistas para evitar a escassez de recursos naturais. Pesquisadores da Noruega e Japão desenvolveram um concreto botânico capaz de aproveitar esse material abundante.
Por que a areia do deserto era rejeitada?
A areia encontrada nos desertos sempre foi descartada pela engenharia por ser excessivamente fina e lisa. Essas características impedem que ela atue como um agente de fixação eficiente na mistura tradicional de concreto, resultando em estruturas fracas.
Para suprir a demanda global, a indústria consome areia de rios ou tritura montanhas inteiras para obter cascalho. Esse processo gera intervenções ambientais severas e esgota rapidamente as reservas de agregados adequados para obras.

Como funciona o novo concreto botânico?
Cientistas da NTNU e da Universidade de Tóquio criaram uma solução misturando areia do deserto com aditivos à base de plantas. O segredo não está no cimento, mas na pressão e no calor aplicados durante a fabricação para unir as partículas.
O resultado é um material rígido, produzido sem a pegada de carbono massiva do cimento convencional. Essa técnica transforma um recurso anteriormente considerado “inútil” em uma matéria-prima valiosa para o setor.
Quais são os componentes e aplicações?
Os testes laboratoriais indicaram que a mistura suporta cargas adequadas para uso em pavimentação urbana e passarelas. A composição básica foge dos padrões da engenharia civil clássica ao incorporar elementos orgânicos para garantir a coesão.
O processo de fabricação utiliza os seguintes elementos principais:
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Areia fina proveniente de desertos;
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Pó de madeira ou biomassa vegetal moída;
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Processo de compactação térmica (calor e pressão).

O desempenho se compara ao tradicional?
A resistência alcançada permite o uso seguro em calçadas e áreas de tráfego leve, embora ainda precise de testes de durabilidade contra o frio extremo. A comparação abaixo destaca as diferenças fundamentais entre os métodos de produção e aplicação.
| Critério | Concreto Tradicional | Concreto Botânico |
| Aglutinante | Cimento e água | Madeira e pressão |
| Recurso Base | Areia de rio ou pedra | Areia de deserto |
| Uso Principal | Estruturas e prédios | Pavimentos e calçadas |
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Qual o impacto ambiental esperado?
A produção de cimento responde por cerca de 8% das emissões globais de CO₂, um índice que essa nova tecnologia visa reduzir drasticamente. Além disso, a técnica pode frear a destruição de leitos de rios e montanhas para a extração de agregados.
O objetivo principal é utilizar a areia no próprio local onde ela abunda, evitando a poluição gerada pelo transporte de materiais. Trata-se de uma solução local inteligente para resolver um paradoxo de escassez global.
