O avanço das healthtechs tem ampliado a digitalização de serviços de saúde e criado novas formas de conexão entre profissionais e pacientes. Nesse contexto, a startup Nivee busca aproximar fisioterapeutas de pessoas que precisam de atendimento domiciliar por meio de uma plataforma digital que utiliza geolocalização e um sistema de créditos para organizar os atendimentos.
A proposta surge como resposta a desafios logísticos recorrentes no tratamento fisioterapêutico, especialmente em casos de pacientes com mobilidade reduzida ou em grandes centros urbanos, onde deslocamentos podem se tornar um obstáculo adicional ao tratamento. A ideia do negócio nasceu a partir de experiências pessoais do fundador, que identificou uma lacuna entre a demanda por fisioterapia domiciliar e a dificuldade de encontrar profissionais disponíveis.
“A gente facilita a comunicação, né? Encontrar o fisioterapeuta onde ele tiver para atendimento em domicílio”, afirma Elder Cavalcante, fundador da Nivee.
Origem da Nivee e a experiência pessoal do empreendedor
A criação da plataforma está diretamente ligada à trajetória profissional e pessoal de Elder Cavalcante. O empreendedor conta que o primeiro contato com a fisioterapia aconteceu após uma lesão no joelho ainda na juventude, experiência que o levou a mudar de área e seguir carreira na profissão.
Anos depois, uma situação familiar reforçou a percepção sobre a importância do atendimento domiciliar. O pai de Cavalcante foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), condição que exige cuidados constantes e torna deslocamentos frequentes para clínicas um processo desgastante para pacientes e familiares.
“Meu pai teve ela em meados de 2017, 18. E aí uma doença que é incapacitante, a pessoa tá consciente e a gente fez de tudo para que ele não saísse de casa”, relata Elder Cavalcante.
Plataforma usa geolocalização para conectar pacientes e profissionais
A Nivee foi estruturada como uma plataforma que permite ao paciente localizar fisioterapeutas próximos à sua região. A partir da geolocalização, o usuário pode identificar profissionais disponíveis dentro de um determinado raio de atendimento e realizar o agendamento diretamente pelo sistema.
O modelo de funcionamento envolve a compra de créditos pelo paciente, que são utilizados para agendar sessões com os profissionais cadastrados. A proposta busca resolver um problema recorrente do setor: a dificuldade de encontrar fisioterapeutas qualificados para atendimento domiciliar.
“Você coloca o seu endereço ou o seu bairro ou a sua cidade, vai aparecer a lista dos fisioterapeutas que estão no raio”, explica Elder Cavalcante.
Validação inicial ocorreu na Baixada Santista
A startup iniciou suas operações na Baixada Santista, região onde o fundador já possuía relacionamento com profissionais da área da saúde e instituições médicas. Essa rede de contatos ajudou a validar a ferramenta antes da expansão para novos mercados.
Segundo o empreendedor, a estratégia inicial priorizou a construção da base de profissionais cadastrados, garantindo que houvesse oferta suficiente de fisioterapeutas disponíveis antes de ampliar a geração de demanda entre pacientes.
“Na Baixada Santista a gente conseguiu, como a gente já tem um outro ecossistema, a gente já conseguiu validar”, afirma Elder Cavalcante.
Aquisição de clientes ainda é um dos principais desafios
Durante a conversa no programa, um dos pontos discutidos foi o custo de aquisição de clientes no modelo B2C. O fundador destacou que trazer pacientes diretamente para a plataforma exige investimentos relevantes em marketing digital, o que pressiona o custo por lead.
Diante desse cenário, a startup passou a explorar caminhos alternativos de crescimento, como parcerias com médicos e clínicas, que podem atuar como canal de indicação para pacientes que necessitam de fisioterapia após cirurgias ou tratamentos ortopédicos.
“Hoje como a gente tá, a gente trabalha no B2C, então a nossa principal dificuldade é estar trazendo os clientes pra base”, afirma Elder Cavalcante.
Parcerias com médicos e academias podem acelerar o crescimento
Os conselheiros do programa avaliaram que o modelo pode ganhar escala por meio de parcerias estratégicas com profissionais que já possuem contato direto com pacientes que demandam fisioterapia. Nesse contexto, médicos ortopedistas e academias surgem como potenciais geradores de demanda para a plataforma.
A estratégia sugerida envolve integrar a tecnologia da Nivee ao fluxo de indicação desses profissionais, facilitando o encaminhamento de pacientes para fisioterapeutas cadastrados na plataforma.
“Eu penso muito aqui no médico que eu acho que vai ser o gerador de pacientes para Nivee e o pessoal de academia”, avalia Erick Nunes, conselheiro do programa.
Modelo de parcerias pode reduzir custos de aquisição
Outro ponto destacado durante a discussão foi a importância de estruturar uma estratégia comercial focada em parcerias para reduzir a dependência de publicidade digital na fase inicial da startup.
A construção de uma rede de parceiros pode permitir que a plataforma cresça de forma mais orgânica, com indicações recorrentes entre profissionais de saúde e estabelecimentos relacionados ao setor.
“Meu foco 100% seria em parcerias agora para conseguir escalar a ferramenta”, afirma Gabriel Lopes, conselheiro.
Plataforma avalia novas frentes de atuação
Além do modelo atual de intermediação de atendimento domiciliar, a Nivee também estuda novas possibilidades de expansão. Entre elas está a integração com soluções de fisioterapia robótica, voltadas para pacientes em recuperação pós-operatória ou em processos de reabilitação.
A empresa também trabalha em melhorias tecnológicas, incluindo a adaptação da plataforma para múltiplos idiomas e a preparação para expansão internacional.
“A gente tá com um desenvolvedor mudando para multilíngue, para um negócio dentro da cidade de Orlando”, afirma Elder Cavalcante.
Healthtech aposta em tendência de atendimento domiciliar
Para os participantes do programa, o crescimento da demanda por serviços de saúde domiciliares representa uma oportunidade relevante para soluções tecnológicas que organizem esse mercado.
A digitalização da intermediação entre profissionais e pacientes pode contribuir para reduzir fricções no processo de contratação, ampliar a visibilidade de profissionais independentes e facilitar o acesso ao atendimento em casa.













