Fontes próximas ao Supremo Tribunal Federal, afirmam que a situação do ministro Dias Toffoli passou a ser considerada “insustentável” dentro da Corte. De acordo com relatos ouvidos pela reportagem, colegas ministros já estariam aconselhando o Toffoli a pedir afastamento do STF para reduzir o desgaste institucional e pressão provocada pelo caso envolvendo o Banco Master.
A avaliação interna seria de que a crise deixou de ser apenas jurídica e passou a afetar a imagem da própria Corte. O movimento não teria caráter punitivo, mas sim político-institucional, buscando diminuir a pressão pública e preservar o tribunal.
Toffoli admite participação em resort
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli admitiu, em nota divulgada nesta quinta-feira (12), que foi sócio da empresa Maridt, companhia ligada a familiares dele que manteve participação no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A participação societária acabou sendo vendida ao Fundo Arleen. A revelação ocorre em meio ao caso envolvendo a ligação entre Dias Toffoli e Banco Master, atualmente em análise na Corte.
Segundo o ministro, ele não conhece o gestor do fundo e nunca manteve relação de amizade com Vorcaro, “muito menos amizade íntima”. Toffoli afirmou ainda que jamais recebeu qualquer valor do banqueiro ou do cunhado dele, Fabiano Zettel.
Na nota, o magistrado declarou que a Lei Orgânica da Magistratura permite que ministros integrem quadros societários de empresas, desde que não exerçam administração direta. Também disse que todas as operações foram informadas às autoridades fiscais.
“Tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”, afirmou.
Dias Toffoli e Banco Master: linha do tempo da relação societária
O ministro sustenta que não há conflito de interesses porque os fatos societários ocorreram antes de ele se tornar relator do processo envolvendo o Banco Master no STF.
De acordo com a explicação apresentada:
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a venda das cotas ao Fundo Arleen ocorreu em 2021;
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a empresa Maridt deixou o grupo do resort em fevereiro de 2025;
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o caso judicial envolvendo a aquisição do Banco Master pelo BRB foi distribuído ao gabinete do ministro apenas em 28 de novembro de 2025.
A defesa de Toffoli argumenta que, quando recebeu o processo, não havia mais qualquer vínculo empresarial entre a companhia familiar e o empreendimento turístico.
Polícia Federal pede suspeição de Toffoli
O posicionamento público ocorreu após a Polícia Federal identificar mensagens no celular de Daniel Vorcaro mencionando pagamentos relacionados à empresa Maridt. O material foi encaminhado ao presidente do STF.
A corporação solicitou que o ministro fosse declarado suspeito para conduzir o inquérito. A investigação busca esclarecer se houve transferência de recursos ou eventual conflito de interesses envolvendo o relator do caso.
O gabinete do magistrado afirmou que o pedido se baseia em “ilações” e não possui fundamento jurídico.
Toffoli mantém relatoria
Apesar do questionamento, o ministro não pretende se afastar do processo. A avaliação interna é que a condição de investidor em empresa familiar não caracteriza impedimento legal para atuar no julgamento.
No mesmo dia da divulgação da nota, Toffoli determinou que a Polícia Federal encaminhe ao Supremo todos os dados de celulares apreendidos nas operações e os laudos periciais produzidos.
A ordem inclui o envio de elementos de prova já documentados, mas ainda não anexados ao inquérito.
Dias Toffoli e Banco Master: o que está sob investigação
As autoridades analisam mensagens que citam políticos e autoridades públicas, além de referências a possíveis pagamentos. A apuração busca esclarecer:
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eventual transferência de recursos ao ministro;
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possíveis conexões entre o banco, o fundo e empresas relacionadas ao resort;
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existência de conflito de interesses na relatoria do processo.
O inquérito segue sob sigilo e ainda depende da análise pericial do material apreendido.














