O ano de 2025 foi marcado por uma sucessão de eventos que influenciaram o funcionamento dos Poderes em Brasília, a agenda econômica e a relação do governo com o Congresso e o mercado. A BM&C News preparou uma matéria especial com os principais acontecimentos que marcaram o clima político em Brasília ao longo do ano.
IOF no centro da discussão em Brasília: ruído fiscal logo na largada do ano
O primeiro grande tema político-econômico de 2025 surgiu ainda no início do ano, com a tentativa do governo de avançar na revisão do IOF. A proposta fazia parte de um debate mais amplo sobre ajustes tributários, mas encontrou resistência imediata no Congresso e entre governadores, que demonstraram preocupação com impactos sobre arrecadação e autonomia federativa.
Diante da reação negativa e da dificuldade de articulação, o Executivo recuou em diferentes momentos. O episódio abriu o ano com ruído fiscal e expôs a complexidade do diálogo político em torno de mudanças tributárias sensíveis.
Reforma Tributária: avanço técnico, impasse político
Ao longo de 2025, a regulamentação da reforma tributária avançou no plano técnico, mas enfrentou entraves políticos relevantes. Disputas entre setores econômicos, estados e municípios atrasaram definições sobre regimes especiais, compensações e cronogramas de transição.
A pressão federativa ganhou peso nas negociações e ampliou a percepção de incerteza. Para parte do mercado, a reforma deixou de ser vista apenas como solução estrutural e passou a carregar riscos políticos associados à sua implementação.
Imposto de Renda: debate ruidoso em Brasília
Outro tema recorrente foi a discussão sobre mudanças no Imposto de Renda. Propostas envolvendo correção da tabela, revisão de benefícios e tributação de dividendos circularam ao longo do ano, sem que se formasse um consenso claro no Congresso.
As iniciativas dividiram opiniões. Enquanto setores defenderam o caráter social das medidas, analistas e investidores apontaram falta de clareza sobre o impacto fiscal efetivo e sobre a sustentabilidade das mudanças no médio prazo.
“Pautas-bomba” e pressão orçamentária no Congresso
Durante 2025, o Congresso avançou com projetos de impacto fiscal relevante, incluindo derrubadas de vetos presidenciais e propostas de ampliação de despesas. Em diversos momentos, o Orçamento foi utilizado como instrumento de negociação política.
O Executivo, em várias ocasiões, precisou reagir para mitigar efeitos fiscais ou negociar saídas intermediárias, refletindo um ambiente de maior protagonismo do Legislativo na condução da agenda.
Crise entre os Poderes: STF no centro do debate
O ano também foi marcado por decisões do Supremo Tribunal Federal com forte repercussão política e econômica. A atuação do STF passou a ocupar espaço central no debate público, alimentando discussões sobre limites institucionais e judicialização da política.
No Congresso, cresceu o desconforto com o que parlamentares classificaram como ativismo judicial, reforçando um ambiente de atrito recorrente entre Legislativo e Judiciário.
Dentro desse contexto, o ministro Gilmar Mendes tornou-se figura central em decisões sensíveis ao equilíbrio entre os Poderes. Determinações com impacto direto sobre prerrogativas legislativas provocaram reações públicas de parlamentares e juristas.
O episódio contribuiu para colocar o Judiciário no centro do debate político de 2025, ampliando a percepção de tensão institucional.
Orçamento, metas fiscais e credibilidade
A política fiscal permaneceu no foco ao longo do ano. Revisões de metas, flexibilizações e dificuldades na execução de cortes de gastos mantiveram o tema em evidência.
Analistas apontaram que a combinação entre rigidez das despesas obrigatórias e incertezas políticas dificultou a sustentação de um discurso consistente de responsabilidade fiscal, influenciando a percepção de risco por parte do mercado.
Relação com o Congresso sob desgaste
A relação entre Executivo e Legislativo mostrou sinais de desgaste ao longo de 2025. A base de apoio se manteve fragmentada, e derrotas em votações importantes evidenciaram dificuldades de coordenação.
Lideranças parlamentares passaram a cobrar mais diálogo e previsibilidade na condução da agenda, enquanto o governo buscava recompor apoio em meio a um ambiente político mais complexo.
Desgaste político acumulado do Executivo
A sucessão de impasses, negociações difíceis e crises institucionais contribuiu para um desgaste político progressivo do governo. Ao longo do ano, a agenda positiva acabou frequentemente ofuscada por episódios de contenção de danos e gestão de crises.
O cenário reforçou a percepção de um Executivo operando em ambiente defensivo.
Clima pré-eleitoral antecipado em Brasília
Já no segundo semestre, o ambiente político passou a ser influenciado de forma crescente pelo cálculo eleitoral de 2026. Decisões no Congresso, no Judiciário e no próprio Executivo passaram a ser analisadas à luz do próximo ciclo eleitoral.
Economia e política se misturaram de forma permanente, encerrando 2025 sob uma lógica de transição e reposicionamento de forças em Brasília.












