A Petrobras anunciou aumento no preço do diesel vendido às distribuidoras a partir deste sábado (14). Com o reajuste, o valor médio do diesel A passa a ser de R$ 3,65 por litro, alta de R$ 0,38 por litro. Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste equivale a cerca de R$ 0,32 por litro sobre o diesel B comercializado nos postos.
Segundo a companhia, a participação média da Petrobras no preço final do diesel B vendido ao consumidor será de aproximadamente R$ 3,10 por litro. A estatal destacou que o último ajuste nas refinarias foi uma redução ocorrida em maio de 2025, há cerca de 311 dias. Já o último aumento havia sido registrado em fevereiro do mesmo ano.
O movimento ocorre em um contexto de forte alta do petróleo no mercado internacional, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A valorização da commodity elevou os custos da matéria-prima utilizada na produção de combustíveis e pressionou a política de preços no Brasil.
Mesmo com a atualização, a Petrobras ressalta que o diesel A vendido às distribuidoras acumula queda desde dezembro de 2022. No período, a redução chega a R$ 0,84 por litro, o equivalente a recuo de 29,6%, já considerada a inflação.
Preço do diesel nas bombas depende de vários fatores
A estatal lembra que o valor cobrado nas refinarias é apenas um dos componentes do preço final ao consumidor. Entre os fatores que compõem o preço do diesel nos postos estão custos e margens de distribuidoras e revendedores, tributos federais, o ICMS estadual, cuja alíquota varia entre as unidades da federação, e outros custos operacionais da cadeia de distribuição.
No caso da gasolina, por exemplo, há ainda a influência do etanol anidro misturado à gasolina A para formar a gasolina C, o que também impacta a formação de preços.
Desoneração e subvenção buscam reduzir impacto
O reajuste ocorre em paralelo a medidas anunciadas pelo governo federal com o objetivo de mitigar o impacto para consumidores e setores produtivos. Entre as ações está o decreto que zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização de diesel.
Além disso, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a adesão da companhia ao programa de subvenção econômica à comercialização do combustível, instituído por medida provisória publicada em março de 2026. O programa prevê pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
A efetivação da adesão dependerá da regulamentação do programa pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), incluindo a definição do preço de referência necessário para a operacionalização do subsídio.
De acordo com a estatal, considerando o efeito combinado do reajuste nas refinarias e o potencial benefício da subvenção, o impacto econômico total seria equivalente a cerca de R$ 0,70 por litro. Ainda assim, o repasse ao consumidor tende a ser suavizado pela desoneração tributária anunciada pelo governo.
Combustível estratégico para a inflação
O comportamento do diesel é acompanhado com atenção por investidores e analistas, já que o combustível tem peso relevante na estrutura de custos da economia brasileira. Alterações nos preços afetam diretamente o transporte de cargas, a logística do agronegócio e a dinâmica dos preços de alimentos.
Diante disso, movimentos no diesel também podem influenciar as expectativas para a inflação e, consequentemente, as projeções para a trajetória da taxa de juros no país.












