A defasagem de combustíveis no Brasil voltou a aumentar e atingiu novos patamares após a recente alta do petróleo no mercado internacional. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) no relatório do PPI desta sexta-feira (06), a diferença entre os preços praticados no país e os valores do mercado externo chegou a 58% no diesel.
Quando considerados apenas os polos da Petrobras, que domina o mercado de refino no país, a defasagem é ainda maior e alcança 64%.
O movimento ocorre em meio à valorização do petróleo Brent, que voltou a subir diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O barril da commodity fechou acima de US$ 87 na quinta-feira e operava próximo de US$ 89 nesta sexta-feira, pressionando ainda mais os preços internacionais dos combustíveis.
Diesel concentra maior diferença de preços
Segundo a Abicom, para que os preços domésticos acompanhem os valores do mercado internacional, o diesel vendido pela Petrobras precisaria subir cerca de R$ 2,07 por litro nas refinarias.
Nos principais polos de importação do país, a diferença de preços corresponde a R$ 1,90 por litro, o que representa uma defasagem de 58%. O cenário aumenta a pressão sobre a Petrobras, que não altera o preço do diesel há 305 dias.
Enquanto a estatal mantém os valores inalterados, refinarias privadas começaram a realizar ajustes recentes para reduzir a distância em relação ao mercado externo.
A Refinaria de Mataripe, na Bahia, elevou o diesel em R$ 0,28 por litro na quarta-feira (4). Já a Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus, reajustou o combustível em R$ 0,57 por litro.
Gasolina também apresenta defasagem relevante
A defasagem de combustíveis também aparece na gasolina, embora em proporção menor.
Segundo o relatório da Abicom:
-
Nos principais polos de importação, a gasolina apresenta defasagem de 25%, equivalente a cerca de R$ 0,63 por litro.
-
Nos polos da Petrobras, a diferença chega a 27%, o que indicaria necessidade de reajuste de aproximadamente R$ 0,69 por litro.
A Petrobras afirmou que sua política comercial tem como premissa evitar o repasse imediato da volatilidade do mercado internacional para o consumidor brasileiro.
A companhia informou ainda que monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional e seus possíveis impactos para o mercado doméstico.
Defasagem dos combustíveis: alta do petróleo cria teste para política de preços
Para Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a escalada recente do petróleo representa um teste para a política de preços adotada pela estatal.
Segundo ele, durante boa parte do atual governo o petróleo permaneceu relativamente estável ou pressionado por excesso de oferta, o que reduziu a pressão sobre os preços domésticos. Com a recente alta do Brent, no entanto, a defasagem voltou a crescer rapidamente.
“Esse cenário cria um dilema para a Petrobras, que fica entre reajustar os preços internos ou manter a política atual e ampliar o risco de redução das importações privadas de combustível“, avalia Rodrigues.
O especialista também lembra que, em momentos de grande diferença entre os preços domésticos e internacionais, há risco de desestímulo às importações, o que pode afetar o abastecimento.













