Atenção nessa frase e leve pra vida: “INFLAÇÃO BAIXA NÃO SIGNIFICA QUE OS PREÇOS ESTÃO MAIS BAIXOS”. Então, sabendo disso, não se engane se escutar essa afirmação com tom de tranquilidade: “A INFLAÇÃO ESTÁ DENTRO DA META”, pois isso não quer dizer que os preços estão mais baixos.
Pois é. Simples assim.
Muita gente, quando ouve no noticiário que a inflação está baixa, imagina que isso significa preços mais baratos no supermercado, no aluguel, no restaurante ou na conta de luz. Mas, na prática, não é bem assim.
Inflação baixa quer dizer apenas que os preços estão subindo mais devagar, não que pararam de subir. Ou seja, o arroz, o feijão, o pão e o transporte continuam ficando mais caros, só que em um ritmo menor do que antes. Para quem vive do salário, isso ainda pesa, porque o dinheiro segue perdendo valor aos poucos.
Entenda que, quando seu salário tem um reajuste anual, sua função é recuperar as perdas anteriores.
O reajuste da sua categoria é feito sobre vários dados inflacionários dos 12 meses anteriores. Sobre esse novo percentual, o cidadão passa a receber um salário maior, e aí começa tudo de novo.
Já com o dinheiro “na conta”, durante o mês, se não houver uma “desinflação” na economia, portanto, mesmo com a tal “inflação baixa”, sinto avisar: seu poder de compra está se perdendo novamente, mês a mês, até o próximo ciclo de reajuste salarial.
Por isso, mesmo com a inflação considerada “controlada”, muitas famílias sentem que o custo de vida continua apertado. O salário não cai, mas o poder de compra diminui.
É como subir uma escada: andar mais devagar não muda o fato de que você continua subindo.
O cenário que realmente ajudaria o bolso das famílias seria a deflação, que é quando os preços param de subir e começam a cair de fato. Nessa situação, o dinheiro passa a render mais. Com o mesmo salário, dá para comprar mais comida, pagar contas com menos aperto e até guardar algum valor.
Mas aqui vai um alerta importante: deflação só é boa quando vem junto com uma economia saudável.
Quando há empregos, produção, consumo e confiança. Se os preços caem porque a economia está parada, com desemprego alto e empresas fechando, isso vira problema, o que os economistas chamam de estagflação ou crise profunda (pesquise esse assunto em meu artigo anterior).
Na prática, para a maioria das famílias que não tem entendimento técnico de dados econômicos, o que importa não é o número da inflação, mas algo bem mais simples: quanto o dinheiro consegue comprar no fim do mês.
*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.













