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Damodaran: envelhecer é mandatório, crescer é opcional

Em visita ao Brasil, “Papa do Valuation” elencou fatores fundamentais para CEOs e empresas em diferentes ciclos de vida

Alexandre Cracovsky Por Alexandre Cracovsky
19/04/2024
Em OPINIÃO

Voltei a encontrar Aswath Damodaran na comemoração dos 20 anos da CFA Society Brazil, em São Paulo, na última quinta-feira (18), depois de relembrar em minha última coluna como foi a primeira palestra que assisti do professor. Como de costume, o encontro com o “Papa do Valuation” rendeu insights valiosos.

Dessa vez, o PhD em finanças falou sobre o ciclo de vida de empresas – que vai ser tema do seu novo livro que lança no final do ano – apontou as melhores características para CEOs em cada etapa do percurso e como investidores devem avaliar no early-stage ou durante a maturidade. A palestra ainda rendeu boas risadas para o público com o bom humor de Damodaran, típico de quem se sente muito à vontade quando fala para o público brasileiro — essa foi a sua 20ª visita ao Brasil.

Aqui, trago algumas de suas melhores falas e os pontos que achei mais interessantes durante esse reencontro com o professor de finanças da NYU.

Além, claro, daquela resenha com a lenda do valuation e do lado dele… o Damodaran, rsrs (Arquivo pessoal)

A vida tem ciclos, as empresas também

Damodaran começou a palestra relacionando os ciclos da vida com a trajetória de uma empresa. Ele comentou que todo mundo que envelhece, quer voltar a ser jovem. Para se sentir com 25 anos novamente, ele que vai fazer 67 anos vê pessoas da sua idade, ou mais seniors, que buscam fazer coisas como cirurgias plásticas e pagam personal trainers para atividades físicas.

Você pode até pagar por tudo isso, mas continua tendo 67 anos. Com as empresas, é igual. Consultorias e bancos de investimentos querem te convencer que empresas com negócios consolidados podem ser novas mais uma vez. Mas para Damodaran, o ciclo das empresas tem fases parecidas com as de nós, humanos, e não adianta olhar para trás nem querer dar saltos para o futuro.

Startups são como bebês, que consomem muita energia até virarem crianças, que não param de chorar e reclamar. Em seguida, surgem as distrações na adolescência, e então chega o auge da vida, quando tudo começa a dar certo. Mas logo, chega a idade madura, e as companhias viram empresas que querem voltar a ser jovens — e isso acelera o processo de envelhecimento, declínio e morte, segundo Damodaran.

O professor citou alguns exemplos. Um deles, a Microsoft, uma das maiores empresas do mundo, madura e estabilizada, que encontrou uma nova curva de crescimento com o Cloud, e agora está se aventurando pela inteligência artificial. A Nvidia, citada na palestra, também deu um jeito de explorar a AI e acumular US$ 65 bi em receita no último ano. Como? Criando a arquitetura para a estrutura de AI — ou seja, fazendo design dos chips, que são produzidos por outra empresa, a TSMC.

E no Brasil?

No Brasil, o cenário das companhias é bem diferente do global. No top 10 das empresas na B3, todas são companhias maduras, algumas até em declínio. Não vemos grandes valuations — a Microsoft e a Nvidia, individualmente, valem mais que todas as ações da bolsa brasileira.

Das 10 maiores companhias do país, quatro são bancos. Cenário completamente diferente dos Estados Unidos, onde bancos como o JP Morgan Chase e o Bank of America não ocupam o topo. Para Damodaran, economias não são mais só manufatura e indústrias, mas sim tecnologia, software e serviços.

O capital de risco faz com que mais startups se transformem em grandes empresas. Com o custo de capital muito alto no Brasil, a liquidez é baixa. Como sempre, Damodaran mostrando que está de olho e trazendo boas análises da nossa economia.

Ford x Yahoo: a velocidade que te leva ao topo é a mesma que te derruba

Esse não é o título de mais um filme sobre a Ford. Mas é o ótimo exemplo usado por Damodaran para mostrar que a velocidade que leva uma empresa ao topo é a mesma que te tira de lá de cima. Ou seja, não adianta querer pular ou desacelerar etapas do ciclo de vida.

Foram décadas para a Ford amadurecer e chegar ao auge — e o filme Ford vs. Ferrari conta uma parte dessa história. Já no Yahoo, o auge chegou muito cedo. Dois alunos que abandonaram os estudos na Universidade de Stanford criaram a empresa e rapidamente a levaram ao topo. Mas a empresa entrou em declínio poucos anos depois, quando o Google abriu o capital.

O perfil ideal de um CEO

Damodaran nos apresentou sua análise dos “CEOs ideais” com os perfis de liderança e fatores fundamentais que as empresas precisam para avançar em cada etapa de suas trajetórias.

Anote aí a função mais importante de um CEO em cada fase:

  1. Startup: “Steve, the Visionary” precisam contar histórias, ser visionários e sonhadores;
  2. Avançando: “Paula, the Pragmatist” é preciso liderar o supply chain, escolher o foco e se estabelecer no mercado;
  3. Em crescimento: “Bob, the Builder” ser oportunista e encontrar novos mercados para crescer;
  4. Na maturidade: “Oscar, the Opportunist” jogar na defensiva e ser protetor do seu negócio;
  5. No declínio: “Larry, the Liquidator” é a hora de liquidar e vender o ativo.

História e Valuation

Não seria uma palestra completa de Damodaran se ele não insistisse que não há um bom valuation sem uma boa história. Dessa vez, ele trouxe a discussão de “números x narrativas” do valuation para o ciclo de vida de uma empresa.

Se a companhia está no começo, é momento de contar muita história e construir narrativas que convençam investidores. Não há números e nem um plano de negócios muito claro. Assim que uma empresa amadurece, os números assumem um novo papel.

“Quando me mandam uma planilha com números, eu pergunto: me conte a história dos números”, disse Damodaran. “Eu não espero que concordem com o meu valuation ou que ele seja igual ao seu. ‘Eu não concordo com a sua taxa de crescimento!’ Você não tem que concordar, é minha história, não a sua história”, ele completou, tirando boas risadas do público presente no Hotel Pullman.

Para o professor, é preciso ser um bom interpretador de histórias para se tornar um bom investidor em empresas early-stage, e quanto mais nova a empresa, menos útil vai ser o balanço no valuation. “Cada input do valuation precisa ter uma história. Para empresas novas não perco mais de 3 minutos para calcular uma taxa de desconto, não está no meu top 10. O valuation é muito mais impactado pela história.”

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O recado final de Aswath Damodaran para as empresas foi para agir de acordo com o momento do negócio, sem querer acelerar ou frear o “envelhecimento”. “Empresas, não sejam infantis!”, ele brincou. Para ele, companhias que não seguirem sua idade costumam destruir o seu valor.

E foi assim que o Papa do Valuation encerrou sua palestra em mais uma passagem pelo Brasil – “envelhecer é mandatório, crescer é opcional — e pode atualizar a sua foto com o outro Homem do valuation que vos escreve, rsrs.

*Coluna escrita por Alexandre Cracovsky, CFA, tem anos de experiência em M&A. É Vice-presidente na ADVISIA Investimentos, onde assessora empresas em transações tanto no sell-side quanto no buy-side. Atuou na área de M&A e Post Merge Integration de um grande conglomerado nacional. Formação em Engenharia Civil, CFA® Charterholder, PhD Candidate em Administração de Empresas na FGV-EAESP e Professor na Link School of Business.


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