BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Para o brasileiro, investir é comprar a casa própria, viajar e apostar em bets

O que a 9ª edição do Raio-X do Investidor revela sobre o descompasso entre o sistema financeiro e a maior parte da população brasileira.

Carlos CastroPor Carlos Castro
29/04/2026

A 9ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, pesquisa anual da ANBIMA com o Datafolha, trouxe um dado que merece ser analisado com mais cuidado do que normalmente se faz.

Em 2025, 24% da população afirmou ter feito algum tipo de investimento ao longo do ano, mas apenas 10% investiram em produtos financeiros.

Esses 14 pontos percentuais revelam um descompasso claro entre o que o mercado financeiro entende como investimento e o que o brasileiro, de fato, considera investir.

Quando falamos em investimento financeiro, estamos nos referindo a aplicações como poupança, CDBs, letras de crédito, fundos de investimento, Tesouro Direto, ações e previdência privada. São instrumentos que operam dentro do sistema financeiro formal, com regras definidas de rentabilidade, prazo e tributação.

Mas essa não é a única forma de investir na visão dos brasileiros. Para uma parcela relevante da população, investir é qualquer alocação de recurso com expectativa de retorno futuro, ainda que esse retorno não seja medido em taxa, benchmark ou volatilidade. Nesse contexto, entram a compra de um imóvel ou de um veículo, a reforma da casa, a abertura de um pequeno negócio, o pagamento da escola dos filhos, um curso técnico ou até mesmo o dinheiro guardado para viabilizar um projeto.

Os dados do próprio Raio-X deixam isso evidente. Dos 24% que investiram em 2025, 9% direcionaram recursos para bens duráveis e imóveis e 4% para negócios. Ou seja, mais da metade do investimento realizado no país acontece fora do sistema financeiro.

Quando analisamos por classe social, o padrão se repete. Nas classes A e B, 42% das pessoas investiram, sendo 24% em produtos financeiros. Já nas classes D e E, apenas 12% investiram, e somente 2% dentro do sistema financeiro, com a maior parte dos recursos direcionada para bens ou para geração de renda.

Há ainda um dado que sintetiza esse desalinhamento: cerca de 5% da população, aproximadamente 7,8 milhões de brasileiros, afirma investir sem utilizar nenhum produto financeiro. Dentro desse grupo, quase metade apenas guarda o dinheiro em casa. Essas pessoas estão tomando decisões financeiras coerentes com a sua realidade.

Leia Mais

cogna altas ibovespa

Payroll na quinta-feira, PMIs globais e ajustes de fim de semestre marcam a semana

29 de junho de 2026

Gilmar quer anular o caso Master?

26 de junho de 2026

A pergunta, portanto, não é por que elas não investem em produtos financeiros, mas qual problema estão tentando resolver com o dinheiro que têm disponível.

Para quem já superou as necessidades básicas e consegue acumular patrimônio, o investimento financeiro passa a fazer sentido como uma categoria própria. Nesse contexto, o CDI vira referência, a diversificação vira estratégia e o risco passa a ser medido em termos de volatilidade e desvio em relação a um benchmark.

Mas, para quem ainda está construindo estabilidade, o investimento tem outra função.

Guardar para a entrada de um imóvel é investir. Viajar é investir. Comprar uma moto para gerar renda é investir. Pagar a educação dos filhos é investir. Abrir um pequeno negócio também é investir.

Nesse contexto, o risco não é a oscilação de uma carteira. É não conseguir realizar o objetivo.

Essa diferença de leitura tem implicações diretas na forma como o mercado financeiro se comunica.

Quando uma pessoa diz que investiu na escola dos filhos, está pensando em capital humano. Quando diz que investiu na casa, está pensando em segurança patrimonial. Quando diz que investiu em uma viagem, está considerando retorno em bem-estar e capacidade de continuar produzindo. São formas de retorno que o sistema financeiro tradicional não foi desenhado para medir.

A caderneta de poupança continua sendo o produto mais utilizado pela população. É simples, acessível e carrega de forma intuitiva a ideia de guardar para o futuro.

O próprio Raio-X mostra que muitos entrevistados classificam como poupança valores que, na prática, estão em produtos como CDB, especialmente nas “caixinhas” dos bancos digitais. O que funciona, e o que torna a poupança tão popular, não é o produto, mas a forma como ele é apresentado: associado a um objetivo concreto.

Quando o produto passa a representar um objetivo, ele deixa de ser abstrato.

O Tesouro Direto começou a trilhar esse mesmo caminho ao estruturar produtos com finalidades específicas, como o Renda+ para a aposentadoria, o Educa+ para educação e o Tesouro Reserva para a reserva de emergência.

O destino dos investimentos reforça essa lógica. Entre as classes C, D e E, o principal objetivo do retorno é a compra de imóvel. Já nas classes A e B, o mais citado é manter o dinheiro aplicado, refletindo um estágio mais avançado de acumulação.

Não há problema nessa diferença. O problema está em tentar atender públicos distintos com a mesma abordagem.

Essa falha de leitura tem consequências concretas. Cerca de 20% dos apostadores em bets consideram as apostas um investimento, e 39% apontam como motivação a possibilidade de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Quando o sistema financeiro não oferece caminhos claros e compreensíveis para atingir objetivos concretos, outros ocupam esse espaço.

O mercado financeiro que quiser dialogar com os mais de 100 milhões de brasileiros que hoje estão fora dos produtos financeiros precisam mudar o ponto de partida.

Precisa começar pelo objetivo, e não pelo produto. Precisa entender que, para uma parcela relevante da população, retorno não é CDI ou IPCA. É o tempo necessário para realizar um objetivo. As caixinhas e os novos formatos do Tesouro já mostraram que essa tradução é possível.

O problema é que o mercado ainda insiste em falar uma linguagem que não foi feita para a maior parte dos brasileiros.

*Coluna escrita por Carlos Castro, planejador financeiro, membro do Conselho de Administração da Planejar, CEO e sócio fundador da SuperRico, plataforma de saúde financeira.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

*Leia mais colunas do autor aqui.

Foto: Unsplash

Foto: Unsplash

Leia

Pesquisa BTG-Nexus mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Boletim Focus mantém Selic em 14% para 2026 e mostra piora nas projeções de longo prazo

Aversão ao risco atinge setor de tecnologia com dúvidas sobre IA

boletim focus
ECONOMIA

Boletim Focus mantém Selic em 14% para 2026 e mostra piora nas projeções de longo prazo

29 de junho de 2026

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (29) manteve a projeção para a taxa Selic em 14% no...

Leia maisDetails
MERCADO DE CAPITAIS
MERCADOS

Aversão ao risco atinge setor de tecnologia com dúvidas sobre IA

27 de junho de 2026

A aversão ao risco voltou a atingir o setor de tecnologia e pressionou os mercados globais nesta sexta-feira. O movimento...

Leia maisDetails
pesquisa btg-nexus
Eleições 2026

Pesquisa BTG-Nexus mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

29 de junho de 2026
boletim focus
ECONOMIA

Boletim Focus mantém Selic em 14% para 2026 e mostra piora nas projeções de longo prazo

29 de junho de 2026
ACORDO IRÃ
INTERNACIONAL

Estados Unidos e Irã suspendem ataques e tentam preservar negociações diplomáticas após escalada militar

29 de junho de 2026
cogna altas ibovespa
MERCADOS

Payroll na quinta-feira, PMIs globais e ajustes de fim de semestre marcam a semana

29 de junho de 2026

Leia Mais

pesquisa btg-nexus

Pesquisa BTG-Nexus mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

29 de junho de 2026

A pesquisa BTG-Nexus divulgada nesta segunda-feira (29) mostra um cenário de empate técnico entre o presidente Lula e o senador...

boletim focus

Boletim Focus mantém Selic em 14% para 2026 e mostra piora nas projeções de longo prazo

29 de junho de 2026

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (29) manteve a projeção para a taxa Selic em 14% no...

ACORDO IRÃ

Estados Unidos e Irã suspendem ataques e tentam preservar negociações diplomáticas após escalada militar

29 de junho de 2026

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a suspender as hostilidades após a escalada militar registrada no fim de semana,...

cogna altas ibovespa

Payroll na quinta-feira, PMIs globais e ajustes de fim de semestre marcam a semana

29 de junho de 2026

A última semana de junho e primeira de julho concentra uma das agendas macroeconômicas mais importantes das últimas semanas. O...

MERCADO DE CAPITAIS

Aversão ao risco atinge setor de tecnologia com dúvidas sobre IA

27 de junho de 2026

A aversão ao risco voltou a atingir o setor de tecnologia e pressionou os mercados globais nesta sexta-feira. O movimento...

BANCO CENTRAL DO BRASIL

Banco Central pisa em ovos diante da inflação inercial, diz gestor

27 de junho de 2026

A condução da política monetária brasileira enfrenta um dos cenários mais delicados para qualquer banco central: evitar ruídos no mercado...

Foto: Reprodução Gov.

Exclusivo: ministro diz que Brasil precisa de neoindustrialização para recuperar espaço perdido

29 de junho de 2026

A indústria brasileira voltou ao centro do debate econômico em um momento em que grandes potências tratam produção, tecnologia e...

Brasil encerra Cannes Lions 2026 com grand prix histórico para Artplan

26 de junho de 2026

O encerramento do Cannes Lions International Festival of Creativity consolidou o desempenho da publicidade brasileira com um marco estratégico para...

Bastidores Cannes Lions: networking e estratégia na Riviera Francesa

26 de junho de 2026

A robusta delegação de lideranças de agências e executivos de marcas brasileiras na Riviera Francesa este ano consolida a posição...

Cannes Lions; Brasil conquista 15 leões em categorias de efetividade e resultados de negócios

26 de junho de 2026

O mercado publicitário brasileiro registrou seu desempenho mais expressivo até o momento na edição de 2026 do Cannes Lions. Em...

Veja mais

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Mercado de Capitais
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.