A divulgação recente da lista “Empregos em Alta 2026” pelo LinkedIn funciona como um termômetro bastante fiel para entender quais cargos estão crescendo, principalmente quais competências estão sendo mais valorizadas em um mercado de trabalho que passa por transformações estruturais profundas. Quando a pesquisa aponta o planejador financeiro na terceira posição e o consultor de investimentos no nono lugar entre os 25 cargos com crescimento mais acelerado no mercado de trabalho brasileiro nos últimos três anos, o dado revela uma demanda clara de pessoas físicas, famílias e empresas que precisam lidar melhor com dinheiro, risco e tomada de decisão financeira em um ambiente cada vez mais complexo. Em um cenário marcado por maior longevidade, complexidade tributária, volatilidade econômica recorrente e ampla oferta de produtos financeiros, cresce de forma consistente a necessidade por profissionais capazes de transformar informação em estratégia e estratégia em decisões financeiramente sustentáveis.
O próprio LinkedIn destaca que, ao lado de funções técnicas altamente especializadas e impulsionadas pela inteligência artificial, ganham protagonismo cargos estratégicos ligados a planejamento financeiro, planejamento estratégico, gestão corporativa e desenvolvimento de novos negócios. Esse ponto é central para entender por que o planejador financeiro aparece com tanto destaque no levantamento, já que sua atuação está diretamente ligada à organização da vida financeira das pessoas em um horizonte de longo prazo, envolvendo aposentadoria, sucessão patrimonial, proteção e investimentos de forma integrada. Da mesma forma, o avanço da carreira de consultor de investimentos reflete um investidor mais maduro, que passou a valorizar aconselhamento independente, análise técnica e alinhamento de interesses em um mercado que se tornou mais sofisticado e competitivo. Em ambos os casos, não se trata de vender produtos ou apenas executar ordens, mas de exercer um papel consultivo, estratégico e contínuo, algo que o mercado brasileiro começa a reconhecer com mais clareza.
Ao observar o perfil das vagas mapeadas pela pesquisa, fica evidente que essas carreiras dialogam diretamente com setores como mercado de capitais, tecnologia, seguros, previdência e serviços financeiros em geral, além de se beneficiarem da digitalização e do maior acesso à informação financeira. O crescimento vem do aumento do número de investidores, e principalmente da complexidade crescente das decisões financeiras ao longo da vida, o que reforça a necessidade de orientação qualificada. Esse contexto consolida planejadores financeiros e consultores de investimentos como peças centrais na engrenagem do mercado financeiro nos próximos anos, tanto do ponto de vista de empregabilidade quanto de geração de valor econômico e social.
Ao aprofundar a análise dessas duas carreiras, é fundamental entender como cada uma funciona na prática e onde estão suas diferenças e complementaridades. O planejador financeiro é o profissional que atua de forma ampla sobre a organização financeira do cliente, considerando renda, despesas, investimentos, seguros, previdência, planejamento sucessório e objetivos de vida, construindo um plano estruturado que serve como referência para decisões ao longo do tempo. Trata-se de uma atuação que exige visão sistêmica, capacidade de diagnóstico, método, disciplina e um elevado padrão ético, já que o relacionamento tende a ser de longo prazo e envolve informações sensíveis da vida pessoal e familiar. No Brasil, a certificação CFP®️, concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, é a principal referência para quem deseja atuar de forma completa nessa área, estabelecendo um padrão técnico e comportamental reconhecido pelo mercado.
A carreira de consultor de investimentos, por sua vez, tem como foco central a orientação técnica sobre alocação de recursos, análise de risco, construção e acompanhamento de carteiras, sempre alinhada aos objetivos e ao perfil do investidor. Diferentemente do assessor de investimentos vinculado a uma instituição financeira, o consultor registrado na CVM atua de forma independente, sendo remunerado diretamente pelo cliente, o que reforça o modelo fiduciário e reduz potenciais conflitos de interesse. Para exercer essa atividade, é necessário atender às exigências regulatórias da CVM, que incluem qualificação técnica, reputação ilibada e cumprimento rigoroso de regras de transparência e governança, sendo comum que esses profissionais possuam certificações como CEA, CGA ou CFP®️, além de experiência prática no mercado financeiro.
As diferenças entre as duas carreiras estão principalmente no escopo e na profundidade da atuação, já que o planejador financeiro olha a vida financeira como um sistema integrado, enquanto o consultor de investimentos aprofunda a tomada de decisão especificamente no campo dos investimentos. Ainda assim, os pontos em comum são relevantes e crescentes, pois ambos trabalham com definição de objetivos, gestão de risco, educação financeira e construção de estratégias de longo prazo. Na prática, essas funções frequentemente se complementam, inclusive do ponto de vista de modelo de negócio, e muitos profissionais optam por desenvolver competências nas duas áreas para oferecer soluções mais completas e fortalecer o relacionamento com o cliente em um mercado que valoriza cada vez mais consistência e continuidade.
Para quem enxerga essas carreiras como uma oportunidade, seja para ingresso no mercado financeiro ou para uma transição profissional, a preparação exige planejamento, formação técnica e visão de longo prazo. O ponto de partida costuma ser uma graduação em áreas como administração, economia, contabilidade, engenharia ou cursos correlatos, que fornecem base analítica e de gestão, embora não sejam os únicos caminhos possíveis. A partir daí, cursos de formação específicos em planejamento financeiro e investimentos tornam-se fundamentais para conectar teoria, metodologia e aplicação prática no dia a dia profissional.
As certificações ocupam um papel central nesse processo, tanto como sinalização de competência quanto como requisito regulatório. Para quem deseja atuar como planejador financeiro, a certificação CFP®️ é amplamente reconhecida como padrão de excelência, enquanto para consultores de investimentos o registro na CVM é obrigatório, sendo as certificações da Anbima, como CEA e CGA, etapas relevantes na construção da carreira. No entanto, certificação por si só não constrói uma trajetória sólida, sendo indispensável combinar conhecimento técnico com prática, posicionamento profissional claro e compreensão do modelo de atuação mais adequado, seja como autônomo, consultor independente ou dentro de instituições financeiras.
Além disso, o desenvolvimento de habilidades comportamentais como comunicação clara, empatia, capacidade de escuta e ética profissional é tão importante quanto o domínio técnico, já que o trabalho envolve orientar pessoas em decisões que impactam diretamente sua segurança financeira e seus projetos de vida.
Em um mercado que caminha para maior transparência, sofisticação e foco no cliente, planejadores financeiros e consultores de investimentos têm espaço para construir carreiras consistentes, com geração de renda recorrente e relevância social.
A pesquisa do LinkedIn apenas confirma uma tendência que já está em curso, e para quem se prepara desde agora, 2026 é o início de um ciclo de oportunidades para quem entende que finanças, cada vez mais, são estratégia, confiança e visão de longo prazo.
*Coluna escrita por Carlos Castro, planejador financeiro, membro do Conselho de Administração da Planejar, CEO e sócio fundador da SuperRico, plataforma de saúde financeira.
As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.
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