A bomba da semana foi a divulgação, pelo site The Intercept, de mensagens trocadas pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nesta troca de missivas e até em mensagem de áudio, o hoje pré-candidato cobra de Vorcaro parcelas de pagamentos para bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trata-se de algo extremamente pernicioso para a candidatura de Flávio. Percebe-se uma intimidade nos diálogos divulgados (“mermão” de um lado, “irmão” de outro), algo indesejável para alguém que pregava existir uma ligação forte entre os petistas e o Banco Master.
É bom ressaltar, no entanto, que os registros das conversas entre Flávio e Vorcaro são bem diferentes daqueles que mostram a relação entre o ex-banqueiro e o senador Ciro Nogueira. Neste último caso, o dinheiro que o Master pagava para uma empresa da família de Ciro foi recompensado pela PEC apresentada ao Congresso, que elevaria o limite de depósitos assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250.000,00 para R$ 1.000.000,00. Vorcaro disse que a proposta tinha saído exatamente como ele havia mandado.
Flávio está pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar a produção do filme sobre seu pai, que tem um ator americano (Jim Caviezel) no papel principal. Não pede favores ou oferece algo em troca. Mesmo assim, é algo que balança a credibilidade do senador. Uma proximidade exagerada como a vista na troca de mensagens nunca é boa, especialmente quando um dos personagens conseguiu criar uma rede de troca de favores com boa parte das autoridades dos três Poderes.
O senador conseguirá sair deste imbróglio e se manter competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Essa resposta só poderá ser respondida após a divulgação das próximas pesquisas eleitorais. Aposta-se em uma queda nas intenções de voto de Flávio, mas isso pode não acontecer. Como existe uma rejeição a Lula, essa desaprovação pode falar mais alto e os eleitores podem fechar seus olhos à proximidade entre o senador e o ex-banqueiro.
Caso Flávio sofra com a debandada de eleitores, para onde irá seus votos?
Para Lula é que esses sufrágios não irão. Portanto, só existem dois caminhos possíveis para o eleitor ajustar seus votos: Romeu Zema e Ronaldo Caiado. (o terceiro é improvável, o de Renan Santos). Zema saiu na frente e começou a critica Flávio.
A divulgação das mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro pode reorganizar o campo da direita e abrir espaço para movimentos mais assertivos de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que observam a turbulência com atenção e calculam o momento de avançar. Zema já ensaia críticas públicas e tenta se apresentar como alternativa mais estável, enquanto Caiado aposta na imagem de gestor experiente e na capacidade de dialogar com setores que rejeitam confrontos permanentes.
Ambos dependem do impacto real do episódio nas próximas pesquisas, pois só com números consistentes poderão medir se existe margem para ocupar o espaço que Flávio tenta preservar. Até lá, o cenário permanece suspenso, com a direita testando seus próprios limites e avaliando quem conseguirá transformar a crise em oportunidade.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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