O primeiro presidenciável que percebeu o enorme pepino que tinha em mãos foi o governador Ratinho Júnior, do Paraná. Ainda não tinha candidato à sucessão estadual definido e via seu rival político, o senador Sergio Moro, disparar nas pesquisas de intenção. Com uma performance discreta nas enquetes presidenciais, ele preferiu ficar no cargo e trabalhar para derrotar o oponente local.
Os demais governadores que buscam um lugar ao sol na disputa presidencial também vão enfrentar dificuldades em seus estados: Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Leite. Dos três, Caiado é o que está em uma situação melhor. Seu vice, Daniel Vilela, lidera as pesquisas com dez pontos percentuais de vantagem sobre o ex-governador Marconi Perillo, que ganhou todos os quatro pleitos disputados para o Palácio das Esmeraldas. Mesmo diante de uma desvantagem nas enquetes, Perillo é um adversário difícil e deve apimentar essa eleição.
Romeu Zema, cuja taxa de aprovação bateu 61% em março, quer eleger seu vice, Mateus Simões, como sucessor. Mas será uma tarefa complicada: ele oscila nas pesquisas entre 4% e 6%, ficando quase sempre em quarta posição nas enquetes regionais. Evidentemente, este é um quadro que pode ser revertido, até porque Simões hoje é o governador em exercício e tem a máquina pública nas mãos. Mesmo assim, este será um trabalho hercúleo, especialmente se Zema for mesmo candidato à presidência (a essa altura, porém, muitos apostam nele como uma opção ao cargo de vice-presidente).
Por fim, temos Eduardo Leite, que sinalizou ficar no cargo caso não seja o nome ungido pelo PSD para concorrer à presidência (hoje, todos os analistas políticos apostam em Caiado para ser o nome do partido na sucessão). Ele apoia Gabriel de Souza, seu vice, que aparece nas pesquisas atrás do deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL) e dos ex-deputados estaduais Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT).
Mas por que isso aconteceu?
Com exceção de Goiás, os demais presidenciáveis se concentraram muito em suas articulações para a campanha presidencial, em especial na obtenção de votos de delegados partidários e em busca de exposição na imprensa. A sucessão estadual ficou em segundo plano e essa conta chegou agora.
Os vices lançados pelos governadores‑presidenciáveis enfrentam um problema básico de visibilidade. Em geral, são figuras pouco conhecidas fora dos círculos políticos e chegam às pesquisas com índices muito baixos de reconhecimento. Entram na disputa sem tempo de exposição acumulado, sem narrativa própria e sem a vantagem de terem protagonizado ações de governo. Em estados grandes, nos quais o eleitorado é disperso e a competição é intensa, essa falta de presença pública pesa mais do que a aprovação do titular.
A transferência de votos também tem limites claros. Mesmo governadores bem avaliados não conseguem garantir que sua popularidade se converta automaticamente em apoio ao sucessor. O eleitor pode aprovar a gestão, mas ainda assim preferir alternância, buscar um nome mais experiente ou optar por alguém que já esteja em campanha há mais tempo. A aprovação do governo funciona como um ativo, mas não como um passe livre para o candidato escolhido por quem foi eleito em 2022.
Enquanto isso, os adversários chegam mais preparados. Muitos estão em campanha há meses, com presença constante na imprensa regional, redes organizadas e discursos bem definidos. Eles ocupam o espaço político antes que o candidato governista se apresente, consolidam narrativas e se tornam referências naturais para o eleitor. Quando o vice finalmente entra no jogo, precisa correr atrás de quem já largou com alguma antecedência.
Esse quadro pode mudar se os governadores retomarem protagonismo nas disputas estaduais, dedicarem tempo à construção da imagem de seus sucessores e recompuserem suas bases políticas. A antecipação da campanha regional, a presença constante nos estados e a criação de uma narrativa clara de continuidade podem ajudar a reduzir a distância nas pesquisas. O sucesso dependerá menos da aprovação do governo e mais da capacidade de transformar o vice em um candidato competitivo por mérito próprio.













