Um dos maiores pontos fracos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o eleitorado jovem. Segundo a pesquisa AtlasIntel, a rejeição a Lula entre pessoas de 16 a 34 anos é de 73%. Isso quer dizer que três quartos da juventude brasileira desaprovam o presidente. Há várias razões para este fenômeno, como a percepção que a economia não anda bem e escândalos como os do INSS e o do Banco Master, que muitos associam a pessoas ligadas ao Planalto. Mas existe algo que parece ser o principal fator de afastamento entre o presidente e a nova geração: a total desconexão de Lula com o mundo digital.
É público e notório que o presidente não tem um aparelho de telefone celular. Isso é muito ruim por duas razões. A primeira é que ele não é o gerador primário de conteúdo sobre suas realizações – sempre alguém está fazendo isso por ele. Sem que Lula se dirija diretamente aos eleitores (e os jovens são os maiores consumidores de redes sociais), haverá um afastamento natural entre o mandatário e eleitorado. Mas há algo pior: sem ter um celular à mão, o presidente se informa apenas com o conteúdo que é filtrado por alguém. Lula não tem a menor ideia do que o eleitorado jovem pensa ou deseja. Por isso, tem um discurso que não se sintoniza com esse grupo (ainda colabora para isso o fato de Lula ter 80 anos de idade).
Mas resta uma dúvida sobre este comportamento: será que Lula não tem interesse em saber o que se passa ao seu redor ou hoje ele é blindado por um grupo que, de propósito, o mantém distante da realidade?
Do mesmo jeito que Lula sofre a rejeição desta faixa etária, há um candidato que nada de braçadas entre o eleitorado jovem. Trata-se de Renan Santos (imagem), do MBL, que tem 24,7% das intenções de votos nesta faixa (eram 15,9% em fevereiro). Quem já navegou pelas redes sociais de Renan entende rapidamente essa conexão com a juventude. Embora tenha 42 anos de idade, Renan produz vídeos contundentes, de linguagem simples e eficaz. Além disso, se coloca como um outsider da cena eleitoral e ataca sem dó ou piedade a classe política, algo que tem bastante apelo entre os jovens.
Percebe-se que o governo está em um voo cego no que diz respeito a entender o comportamento do eleitorado e fica batendo na mesma tecla — a de ampliar a divulgação de suas realizações. Talvez seja mais produtivo entender primeiro quais são as raízes de sua desaprovação e compreender o que tem provocado o crescimento de Flávio Bolsonaro ou mesmo, em menor escala, de Renan Santos. Se souber quais são seus pontos fracos, provavelmente o Executivo poderá trabalhar melhor sua campanha de reeleição. Mas o Planalto mostra estar perdido e rodando em círculos, sem ter uma estratégia definida para virar o jogo.
Diante desse cenário, o desafio central para o governo é reconstruir uma ponte com a juventude antes que a distância se torne irreversível. Isso exige mais do que ampliar a presença institucional nas redes: implica reconhecer que a linguagem política tradicional perdeu força entre os mais novos e que a disputa por atenção ocorre em um ambiente veloz, fragmentado e altamente competitivo. Se o Planalto não ajustar sua forma de comunicação e não demonstrar compreensão genuína das inquietações dessa geração, continuará cedendo espaço a figuras que dominam esse ecossistema digital e que sabem transformar insatisfação em capital político.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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