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A eleição de 2026 não terá os campeões de voto de 2022

Aluizio Falcão Filho Por Aluizio Falcão Filho
02/12/2025
Em Aluizio Falcão Filho

Pode parecer esquisito, mas a eleição para deputado no ano que vem não deverá contar com quatro dos nomes mais votados em São Paulo no pleito de 2022. O campeão de votação entre todos os paulistas é Guilherme Boulos, que teve mais de um milhão de eleitores e acaba de assumir um ministério no governo federal. Mas o acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizem por aí, é que ele só assumiria a pasta se não concorresse ao Congresso em 2026.

Ocorre que Boulos foi crucial para elevar a bancada de seu partido, o PSOL. Luiza Erundina e Sonia Guajajara, por exemplo, tiveram votações razoáveis, mas contaram com o quociente eleitoral gerado por Boulos para que pudessem ganhar um assento na Câmara Federal.

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Neste ranking dos mais votados está a deputada Carla Zambelli, presa na Itália esperando o resultado de um pedido de deportação expedido pela Justiça brasileira. Como se sabe, Zambelli foi condenada por ter ordenado a invasão cibernética do sistema do Conselho Nacional de Justiça e pela emissão de documentos falsos. Ela não concorrerá no ano que vem. Quem herdará seus 946.244 sufrágios?

Em seguida, temos Eduardo Bolsonaro, que obteve 741.701 votos. Como se sabe, o filho de ex-presidente Jair Bolsonaro está vivendo nos Estados Unidos e foi um dos pivôs da crise provocada pelo tarifaço ditado em julho pelos Estados Unidos. Além disso, foi uma figura decisiva para a aplicação da Lei Magnitsky a membros do Judiciário brasileiro. Por conta de tudo isso, corre o risco de perder o mandato e ficar inelegível em 2026.

Seguindo adiante, há o ex-ministro Ricardo Salles, que amealhou nas urnas 640.918 votos. Tudo indica que Salles irá disputar uma vaga no Senado no ano que vem, quando dois terços da casa serão renovados. Espera-se que o governador Tarcísio de Freitas, seja candidato à reeleição ou ao Planalto, possa puxar votos conservadores para o Legislativo. Isso beneficiaria Salles, que, curiosamente, foi desafeto do governador desde os tempos em que eram colegas de ministério no governo Bolsonaro.

Por fim, temos um bônus: Guilherme Derrite, o décimo-primeiro da lista, que conquistou 239.772 votos. Derrite, assim como Salles, deve tentar uma das duas vagas abertas no Senado e deixa quase 240 mil eleitores órfãos. Por outro lado, pode conquistar um número significativo de apoiadores depois de sua passagem pela secretaria de Segurança Pública em São Paulo.

A ausência desses puxadores de voto tende a pulverizar o eleitorado e reduzir a capacidade de alguns partidos de conquistar cadeiras com base em grandes concentrações de sufrágios. Sem figuras capazes de ultrapassar a marca de centenas de milhares de votos, o quociente eleitoral será atingido de forma mais fragmentada, o que pode abrir espaço para que candidatos médios ou novatos alcancem a Câmara (ou haverá uma busca por nomes com o potencial de encantar o eleitorado).

Ao mesmo tempo, o cenário cria oportunidades para novas lideranças que buscam se firmar em São Paulo. A dispersão dos votos pode favorecer partidos menores ou candidatos regionais, que passam a ter mais chances de se destacar em nichos específicos do eleitorado. O resultado provável é uma bancada mais diversa, menos concentrada em grandes nomes e mais representativa de diferentes correntes políticas, o que pode modificar a dinâmica das alianças e disputas dentro do Congresso.

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