Após um período prolongado de juros elevados, o mercado imobiliário brasileiro pode entrar em um novo ciclo de retomada seletiva e estratégica. A expectativa de início é de um movimento de queda da taxa Selic, combinada a um ambiente de inflação mais controlada e maior estabilidade cambial, que tende a destravar decisões tanto do lado dos empreendedores quanto dos consumidores, reacendendo o apetite por investimentos imobiliários.
Para Daniel Gava, CEO da Rooftop, proptech pioneira e única em soluções institucionais de liquidez imobiliária para imóveis sob pressão, mesmo diante de um ritmo econômico mais contido e o contexto geopolítico, a estrutura atual do mercado imobiliário demonstra resiliência e a possível redução dos juros atua como um gatilho relevante para decisões que vinham sendo postergadas.
“A expectativa de ciclo de queda da taxa básica melhora a viabilidade econômica de projetos que estavam adormecidos e, ao mesmo tempo, antecipa decisões de compra do consumidor, que vinha aguardando condições mais favoráveis de financiamento”, afirma.
Mercado imobiliário no radar: segmentos de destaque
Ainda de acordo com o executivo, em alguns segmentos, o desequilíbrio entre demanda elevada e oferta limitada deve seguir sustentando a valorização real dos preços, reforçando o imóvel como ativo de proteção patrimonial e investimento de longo prazo.
“A combinação de inflação, renda, queda dos juros e o emprego mais controlados, maior estabilidade cambial e o consequente aumento do apetite dos bancos pelo crédito imobiliário tende a destravar parte da demanda reprimida acumulada nos últimos anos, criando condições para uma retomada mais organizada do setor”, conta Daniel.
Gava aponta que entre os segmentos que devem sentir esse impacto de forma mais imediata está o mercado atendido pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As recentes expansões das faixas de renda e a revisão dos limites de financiamento ampliaram o alcance do programa, viabilizando novos projetos em regiões antes não atendidas.
“O MCMV continua sendo um dos principais motores do setor. A ampliação do programa permite tanto o acesso à moradia quanto a viabilidade econômica de novos empreendimentos, especialmente em regiões com déficit habitacional relevante”, explica o CEO da Rooftop.
Queda dos juros impulsiona demanda imobiliária
A expectativa de queda dos juros também tende a impactar diretamente a classe média, que foi uma das mais afetadas pelo encarecimento do crédito imobiliário nos últimos anos. A redução do custo do financiamento pode recolocar esse público no mercado, destravando decisões de compra adiadas e ampliando a demanda por imóveis residenciais em faixas intermediárias de preço.
“A classe média ficou comprimida entre o crédito caro e a perda de poder de compra. Com juros mais baixos, esse público volta a ter capacidade de planejamento e acesso ao financiamento, o que tende a gerar um efeito relevante sobre a demanda imobiliária”, afirma Gava.
Além do crédito mais acessível, unidades de menor ticket seguem atraindo compradores de primeira moradia e investidores interessados em renda recorrente e proteção patrimonial, o que tende a aquecer o mercado de imóveis voltados à renda.
Para o executivo, mais do que um simples movimento cíclico, o mercado caminha para uma dinâmica mais estratégica.
“A partir do segundo semestre de 2026, as decisões passam a ser menos orientadas por volume e mais guiadas por leitura de contexto, localização qualificada, proposta de valor clara e capacidade de adaptação a diferentes cenários econômicos”, conclui.












