O Ibovespa encerrou esta terça-feira (13) em queda de 0,71%, refletindo um ambiente global de maior aversão ao risco, marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por novos ruídos políticos nos Estados Unidos. Ainda assim, o pregão foi marcado por um desempenho pontual positivo das ações ligadas a commodities, com destaque absoluto para a Petrobras, que registrou a maior alta do dia.
As ações PETR3 avançaram 3,41%, fechando a R$ 33,04, impulsionadas pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. O movimento acompanhou a disparada das cotações do barril, que atingiram os maiores níveis desde o fim de 2025.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta robusta nesta terça-feira. O Brent para março subiu 2,50%, a US$ 65,47 por barril, na ICE, enquanto o WTI para fevereiro avançou 2,77%, a US$ 61,15 por barril, na Nymex. Trata-se do maior patamar do Brent desde setembro de 2025 e do WTI desde outubro do mesmo ano.
A alta ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelar reuniões com o Irã e afirmar que a ajuda aos manifestantes do país “estava a caminho”. O Irã é membro da Opep e um dos principais produtores globais de petróleo, o que elevou os temores de uma eventual interrupção no fornecimento diante da instabilidade política. O cenário é agravado por relatos de repressão violenta às manifestações, com centenas de mortos segundo organizações não governamentais, além da ameaça de tarifas de 25% a países que mantenham relações comerciais com Teerã. O mercado também monitora os desdobramentos da crise na Venezuela e os ataques entre Rússia e Ucrânia.
Segundo Bruno Perri, estrategista de investimentos, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o desempenho da bolsa brasileira reflete um movimento global mais amplo de cautela.
“A bolsa brasileira reflete um movimento mais amplo de aversão ao risco, que combina questões geopolíticas, especificamente o escalonamento das manifestações anti-regime no Irã, com sinalização de que os EUA poderiam intervir, e pela inédita pressão política exercida por Trump sobre o Federal Reserve, que, sem dúvidas, coloca em xeque a independência do banco central mais importante do mundo”, afirma.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em queda, mesmo após o CPI de dezembro indicar alívio na inflação. Para Perri, o dado não foi suficiente para sustentar o apetite por risco.
“Neste ambiente, as bolsas americanas caem de forma generalizada, apesar do alívio na inflação americana na leitura do CPI de dezembro, e também anulando o alívio da Pesquisa Mensal de Serviços no Brasil, que trouxe queda do setor em novembro sobre a curva DI local, que costuma favorecer a bolsa de valores”, explica.
O estrategista ressalta que os mercados seguem reagindo, principalmente, ao aumento das tensões geopolíticas e aos ruídos institucionais nos EUA.
“As bolsas americanas reagem, na minha opinião, ao forte movimento de aversão ao risco destravado por fatores geopolíticos, com o escalonamento das tensões no Irã e seus possíveis desdobramentos, com chance de maior envolvimento norte-americano, e pelos ruídos causados pela pressão política do governo Trump sobre o Federal Reserve, trazendo receios de perda de independência do mais relevante banco central do mundo”, avalia.
No mercado de câmbio, o dólar se fortaleceu globalmente, acompanhado pela alta do DXY, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros. “O dólar sobe globalmente, refletindo um movimento de aversão ao risco e corrida a ativos seguros, como o dólar, apesar de leve realização de lucros nas cotações do ouro”, completa Perri.
Apesar do viés negativo do índice, o avanço das commodities ajudou a sustentar alguns papéis relevantes da B3. Além da Petrobras, ações da Vale também se beneficiaram da alta do minério de ferro no mercado internacional.













