Após um 2025 de forte valorização, as projeções para o Ibovespa em 2026 começam a ganhar forma nos relatórios de bancos e grandes casas de investimento. Levantamentos divulgados por instituições como Morgan Stanley, Safra, J.P. Morgan, XP, Bank of America, Ágora Investimentos e BB Investimentos apontam para um cenário majoritariamente construtivo para a Bolsa brasileira, com estimativas que variam entre 180 mil e 200 mil pontos ao fim do ano.
Entre as projeções mais otimistas, o Morgan Stanley trabalha com um alvo de 200 mil pontos, enquanto o Safra projeta o Ibovespa próximo de 198 mil pontos em seu cenário-base. Outras casas importantes concentram suas estimativas na faixa entre 185 mil e 192 mil pontos, refletindo uma leitura de continuidade do ciclo positivo iniciado em 2025, ainda que com maior volatilidade ao longo do caminho.
O pano de fundo para essas projeções combina vetores positivos e riscos relevantes. Do lado favorável, os relatórios destacam a expectativa de flexibilização gradual da política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, o que tende a reduzir o custo de capital e sustentar múltiplos mais elevados para ações.
No ambiente doméstico, a perspectiva de cortes da Selic ao longo do ano aparece como um dos principais catalisadores para a Bolsa, especialmente para setores mais sensíveis ao crédito e à atividade econômica. Além disso, muitas casas avaliam que, apesar da alta recente, os valuations ainda não parecem excessivos, sobretudo quando comparados a outros mercados emergentes.
Por outro lado, 2026 será um ano eleitoral, fator que historicamente aumenta a volatilidade e eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores. O debate fiscal deve voltar ao centro do mercado, com atenção redobrada à trajetória das contas públicas, às sinalizações do governo e ao impacto dessas decisões sobre a curva de juros e o câmbio. “O mercado abre 2026 já em modo eleição. A disputa presidencial ganhou tração antecipada e o prêmio de risco político, que voltou a aparecer no fim de 2025, entra definitivamente no radar dos investidores”, afirma Marco Saravalle, mestre em economia e finanças e CIO da MSX Invest.
Apesar dos desafios fiscais e políticos, há vetores positivos para os ativos de risco no médio prazo, especialmente se o ambiente de juros evoluir de forma favorável. “Entramos em 2026 com fundamentos mistos: macroeconômicos ainda desafiadores, mas com vetores positivos para ativos de risco no médio prazo. O cenário pede seletividade e gestão ativa de risco”, destaca Saravalle.
No cenário externo, o comportamento do Federal Reserve segue como variável-chave. Um Fed mais cauteloso, mas aberto a cortes de juros se a inflação continuar cedendo, favorece fluxos para mercados emergentes. Já qualquer surpresa inflacionária ou mudança no discurso pode alterar rapidamente o humor global.
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