O mercado inicia esta quarta-feira com foco absoluto nos indicadores de emprego dos Estados Unidos, que funcionam como um aquecimento para o payroll de sexta-feira e ajudam a ajustar as expectativas para juros, dólar e fluxo de capitais para mercados emergentes.
As atenções do mercado se concentram em três divulgações-chave nos EUA:
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ADP de empregos privados (10h15), com expectativa de criação de 48 mil vagas, após a perda de 32 mil no mês anterior;
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Relatório JOLTS (12h), que mostra a dinâmica de vagas abertas;
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ISM de Serviços (12h), indicador relevante de atividade.
A leitura dominante é que números mais fracos reforçam a narrativa de flexibilização monetária. O mercado já trabalha com a possibilidade de cortes de juros a partir de março ou abril, conforme as apostas do CME. Há ainda projeções mais agressivas — como as defendidas por Stephen Miran, nome associado ao entorno de Donald Trump — que apontam juros próximos de 3% em 2026.
Para Marco Saravalle, mestre em finanças e estrategista-chefe da MSX, mesmo que esse cenário seja extremo, “o viés estrutural segue sendo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos, o que mantém o dólar pressionado no cenário global”.
Petróleo recua e Venezuela fica no pano de fundo
O petróleo deve abrir o dia em queda, após declarações de Donald Trump indicando que a Venezuela entregaria entre 30 e 50 milhões de barris aos Estados Unidos. Apesar do ruído geopolítico, o mercado permanece cético quanto a uma recuperação rápida da produção venezuelana, diante da infraestrutura precária e da necessidade de investimentos elevados.
O Brent voltou para a região de US$ 60 o barril, reforçando a percepção de excesso de oferta no curto prazo — movimento que pressiona as ações de petroleiras.
Brasil segue amparado pelo carry trade
No cenário doméstico, o diferencial de juros continua favorecendo os ativos brasileiros. A Selic em 15%, com expectativa de cortes apenas a partir de março, mantém o país atrativo para estratégias de carry trade.
O dólar voltou a cair e rompeu o patamar de R$ 5,40, beneficiado pela entrada de fluxo estrangeiro e por menor pressão sazonal de remessas. Projeções de economistas apontam para um câmbio médio ao redor de R$ 5,35 em 2025, com maior cautela apenas no segundo semestre, quando o ciclo eleitoral tende a ganhar tração.
Bolsa forte, com peso das commodities
O Ibovespa avançou pelo segundo pregão consecutivo, com alta de 1,11%, encerrando aos 163.663 pontos, muito próximo do recorde histórico.
Entre os destaques do último fechamento:
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Vale subiu 3,76%, acompanhando a valorização do minério de ferro;
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Bancos registraram ganhos moderados;
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Petrobras figurou entre as maiores quedas, pressionada pelo recuo do petróleo e por notícias operacionais envolvendo a Foz do Amazonas.
No exterior, Wall Street renovou máximas históricas, impulsionada por empresas de semicondutores, inteligência artificial e data centers, mantendo um pano de fundo construtivo para ativos de risco.
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