O noticiário corporativo desta quarta-feira (28) deve ser marcado por movimentos estratégicos relevantes no mercado de ações, com reforço de fluxo institucional seletivo e resultados operacionais robustos, especialmente nos setores de commodities, indústria e aviação.
Avaliações da MSX Invest indicam que os investidores seguem atentos a narrativas de destravamento de valor nas ações, mas ainda distinguem com clareza fatos concretos de movimentos especulativos.
Mercado de olho nas ações da CSN
A CSN informou à CVM que não há definição de compradores nem negociações avançadas envolvendo a venda do negócio de aço, após reportagem do Valor Econômico indicar possíveis sondagens junto a concorrentes. A companhia classificou as informações como especulação, mas confirmou que o conselho aprovou, em 15 de janeiro, um projeto de alienação estruturada de ativos relevantes.
Para a MSX Invest, o tema permanece sensível ao mercado, mas ainda carece de materialidade.
“O mercado tende a testar narrativas de destravamento de valor, especialmente em companhias com ativos relevantes. No caso da CSN, por enquanto, não há fato concreto que permita reprecificação estrutural”, avalia Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest.
Vibra realiza leilão técnico de frações de ações
A Vibra Energia realiza nesta quarta-feira um leilão de 25.609 ações ordinárias referentes a frações remanescentes do processo de bonificação do aumento de capital. O preço de referência será o fechamento do último pregão, e, caso não haja liquidez total, a oferta pode permanecer no call de fechamento por até cinco sessões.
Segundo a MSX, trata-se de um evento pontual.
“É um movimento técnico, sem impacto estrutural sobre fundamentos ou tese de investimento”, afirma Saravalle.
BlackRock eleva participação na Azzas e reforça fluxo institucional
A Azzas comunicou que a BlackRock elevou sua participação para 5,01% do capital social, totalizando 10,34 milhões de ações ordinárias. A gestora destacou que o movimento é exclusivamente de investimento, sem intenção de influenciar controle ou gestão.
Para a MSX Invest, o aumento da posição é um sinal relevante em um ambiente ainda seletivo para o varejo.
“Fluxo institucional continua bastante criterioso. Quando ocorre, especialmente em varejo, é um indicativo importante de confiança na tese e na execução”, diz Saravalle.
Embraer registra carteira recorde e reforça visibilidade de longo prazo
A Embraer encerrou o quarto trimestre de 2025 com carteira de pedidos recorde de US$ 31,6 bilhões, o maior nível da história da companhia. No período, foram entregues 91 aeronaves, alta de 21% na comparação anual. Em 2025, o total chegou a 244 aeronaves, avanço de 18%.
Na aviação comercial, o backlog atingiu US$ 14,5 bilhões, com book-to-bill de 2,8x, apesar de impacto pontual da renegociação com a Azul. Já a aviação executiva alcançou carteira recorde de US$ 7,6 bilhões, enquanto defesa e segurança somaram US$ 4,6 bilhões.
“O resultado da Embraer é muito forte e reforça uma tese de crescimento estrutural, com diversificação de receitas e elevada visibilidade de longo prazo”, afirma o estrategista da MSX.
Ações da Vale entre os destaques corporativos
A Vale divulgou relatório de produção e vendas do quarto trimestre e do ano de 2025 com números acima dos guidances. A produção anual de minério de ferro somou 336,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% na comparação anual. No quarto trimestre, a produção atingiu 90,4 milhões de toneladas.
A companhia também registrou a maior produção desde 2018 em minério e cobre, além do maior nível de níquel desde 2022. O resultado financeiro será divulgado em 12 de fevereiro, após o fechamento do mercado.
“Os números operacionais da Vale são robustos e reforçam a geração de caixa, sustentando a tese mesmo diante de ajustes táticos de curto prazo”, avalia Saravalle.
Gol recebe alívio regulatório, mas execução segue no centro do case
A B3 prorrogou até 30 de abril de 2026 o prazo para que a Gol reenquadre o preço mínimo de suas ações acima de R$ 1,00. A decisão considera o processo de incorporação e a saída da companhia do Nível 2 de Governança.
Para a MSX, o movimento traz alívio temporário, mas não altera o risco central do investimento.
“É um fôlego regulatório, mas o desempenho do papel segue altamente dependente da execução da reestruturação”, conclui o estrategista.













