O início de 2026 mantém o Brasil em um ambiente econômico pressionado, com cerca de 79,5% das famílias endividadas e aproximadamente 81 milhões de consumidores inadimplentes. Ao mesmo tempo, a inadimplência no sistema financeiro segue acima de 5%, refletindo um cenário de crédito mais restrito e seletivo. Esse quadro se intensifica com a valorização dos imóveis residenciais, que acumulam alta próxima de 7% em 12 meses, pressionando ainda mais o poder de compra das famílias.
Com a taxa Selic alta, o custo do financiamento segue elevado limita o acesso a crédito tanto para consumidores quanto para empresas. Nesse contexto, soluções menos dependentes de juros bancários ganham espaço. O consórcio imobiliário, inserido em um setor que movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano no país, passa a ser visto como uma alternativa estratégica para reorganização patrimonial.
O cenário amplia a distância entre quem consegue adaptar sua estratégia financeira e quem permanece exposto à combinação de juros altos, crédito caro e perda de previsibilidade. É nesse ambiente que surgem novas abordagens práticas para fortalecer a liquidez e reorganizar o patrimônio ao longo do ano. A 1ª recomendação, segundo Pedro Ros, CEO da Referência Capital, passa por um diagnóstico rigoroso da rentabilidade real das operações.
“Não basta acumular ativos, é preciso entender onde está o retorno efetivo e qual é o custo de manter capital mal alocado”, afirma.
A companhia, com sede em Brasília, consolidou uma base de mais de 3 mil clientes distribuídos em 48 países e soma cerca de R$ 850 milhões negociados em consórcios imobiliários. O modelo adotado prioriza planejamento financeiro e aquisição gradual de imóveis, reduzindo a dependência do crédito tradicional. Em um ambiente de juros elevados, essa lógica ganha peso, ao evitar decisões baseadas apenas em oportunidades pontuais, que tendem a comprometer liquidez e previsibilidade ao longo do tempo.
A 2ª orientação envolve a construção de uma estratégia contínua e previsível de aquisição, evitando picos de desembolso e movimentos reativos. De acordo com o executivo, o consórcio permite organizar metas de longo prazo e acompanhar o fluxo financeiro com maior disciplina. Atualmente, a Referência Capital administra 1.861 cartas de consórcio ativas, com ticket médio de R$ 550 mil, voltadas principalmente a investidores que buscam estruturar patrimônio de forma consistente. A 3ª diretriz está ligada à padronização dos processos de gestão.
“Crescimento sustentável exige método, rotina e critérios claros”, ressalta Ros.
A operação conta com 70 profissionais especializados e processos replicáveis de análise, aquisição e acompanhamento patrimonial, reduzindo riscos e aumentando a eficiência nas decisões.
A 4ª dica concentra-se na gestão estratégica do fluxo de caixa, que se tornou central em um cenário de crédito mais restrito. Para Ros, controlar o fluxo deixou de ser apenas uma função operacional e passou a orientar decisões financeiras relevantes. O modelo de consórcio permite parcelas compatíveis com o orçamento, preservando liquidez ao longo do ciclo. Hoje, os clientes da empresa têm acesso a mais de 150 imóveis catalogados, com rentabilidade projetada de até 3% ao mês.
Por fim, a 5ª recomendação destaca a importância de alianças estratégicas. A Referência Capital mantém mais de 100 parceiros ativos, ampliando o acesso a oportunidades e acelerando aquisições mesmo em um ambiente mais seletivo. Para o executivo, em 2026, reorganizar o patrimônio exige método, previsibilidade e cooperação, pilares que se tornam decisivos diante de um cenário econômico ainda marcado por incertezas.














