O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic em 15% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado, mas trouxe uma mudança relevante na comunicação que reforça a percepção de que o ciclo de flexibilização monetária pode começar já na próxima reunião, em março.
No comunicado divulgado após o encontro, o Copom deixou de mencionar a necessidade de manter os juros em “patamar significativamente contracionista por período prolongado”, expressão que vinha sendo utilizada nos textos anteriores e era interpretada como um sinal de cautela adicional por parte da autoridade monetária.
A retirada desse trecho foi lida por economistas e agentes de mercado como um indicativo de maior conforto do Banco Central com a trajetória da inflação e, principalmente, com o comportamento dos núcleos e das expectativas inflacionárias ao longo do horizonte relevante de política monetária.
Segundo o Comitê, o cenário base segue marcado por um processo gradual de desinflação, com inflação cheia mostrando sinais de arrefecimento na margem e melhora na composição dos indicadores, especialmente em bens industriais e parte dos serviços. “O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, destaca o documento.
O Copom também destacou que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 recuaram nas últimas semanas, aproximando-se da meta, o que reduz a necessidade de manutenção de uma postura excessivamente restritiva por mais tempo.
Apesar disso, o Banco Central reforçou que o ambiente ainda exige cautela, sobretudo diante da atividade econômica resiliente e do mercado de trabalho aquecido, fatores que seguem exercendo pressão sobre os serviços subjacentes.
Na avaliação de analistas, o comunicado mantém um tom equilibrado, mas sinaliza de forma clara que o Comitê já discute o início de um ciclo de cortes, desde que o cenário prospectivo continue evoluindo de forma benigna.
Com isso, cresce a expectativa de que o Copom possa iniciar a flexibilização da política monetária a partir de março, possivelmente com um primeiro corte de 25 pontos-base, caso os próximos dados de inflação e atividade confirmem a tendência de desaceleração gradual. ”O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, conclui o comunicado.













