O lucro do Itaú em 2025 voltou a chamar a atenção do mercado ao atingir um patamar recorde, com rentabilidade muito acima dos pares do setor bancário. Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, o desempenho não pode ser atribuído apenas ao ambiente macroeconômico ou ao nível elevado da taxa de juros, mas sim a fatores estruturais ligados à gestão e ao modelo de negócios do banco.
Segundo a analista, a comparação com outros grandes bancos ajuda a reforçar essa leitura. Enquanto instituições como Santander e Banco do Brasil apresentaram resultados mais modestos em termos de retorno sobre o capital, o Itaú Unibanco entregou um ROI próximo de 24% no quarto trimestre, evidenciando uma diferença relevante de performance dentro do setor.
“O resultado tem pouco a ver com o cenário conjuntural. É muito mais um mérito de gestão, que vem sendo construído ao longo dos últimos anos”, afirmou Larissa durante entrevista à BM&C News.
Lucro do Itaú surpreende: gestão focada em crédito, serviços e eficiência
Na avaliação da Empiricus, três pilares explicam o desempenho robusto do banco. O primeiro está na política de crédito, marcada por uma estratégia deliberadamente conservadora. O Itaú optou por concentrar a originação em clientes já conhecidos, com histórico financeiro sólido e menor risco de inadimplência.
Essa postura permitiu que o banco atravessasse o ciclo de juros elevados com uma deterioração bem menor da qualidade da carteira em relação aos concorrentes.
“Mesmo com a alta da inadimplência observada no sistema financeiro como um todo, o Itaú performou melhor do que os pares, justamente por proteger a carteira desde a originação”, explicou Larissa.
O segundo fator está na área de serviços. Nos últimos anos, o banco abriu mão de parte das receitas de tarifas e comissões para ampliar a base de clientes. Esse movimento, que inicialmente pressionou os números, começa agora a gerar resultados mais consistentes, com recuperação da receita de serviços sem necessidade de maior alocação de capital em crédito.
Por fim, a eficiência operacional aparece como um diferencial relevante. Investimentos expressivos em tecnologia realizados entre 2021 e 2023 passaram a ser capturados mais fortemente a partir de 2024. Hoje, o índice de eficiência do Itaú se encontra no menor patamar da história da instituição, segundo a analista.
Inadimplência controlada e estratégia intencional
Outro ponto destacado por Larissa Quaresma foi o comportamento da inadimplência, que permanece em níveis historicamente baixos mesmo com o crescimento da carteira de crédito. Para ela, esse resultado não é circunstancial.
“A inadimplência que vemos hoje reflete decisões tomadas trimestres atrás. O Itaú manteve uma postura conservadora mesmo quando houve uma breve redução dos juros em 2023, focando em clientes com relacionamento e bom histórico de pagamento”, afirmou.
De acordo com a Empiricus, essa estratégia deve ser mantida ao longo de 2026, garantindo previsibilidade e sustentação da rentabilidade em um cenário de normalização monetária.
Queda dos juros não deve comprometer rentabilidade e lucro do Itaú
Com a expectativa de um ciclo de queda da Selic, parte do mercado passou a questionar se o lucro do Itaú poderia sofrer compressão de margens. Na visão da analista, os efeitos negativos tendem a ser compensados, e até superados, por outros vetores de crescimento.
A redução da taxa básica diminui a remuneração do capital próprio investido pelo banco, mas, em contrapartida, estimula a demanda por crédito.
“Com juros mais baixos, a carteira cresce mais rápido, gerando alavancagem operacional e diluição de despesas”, explicou.
Além disso, a continuidade dos ganhos de eficiência e o impacto do pagamento de dividendos elevados, que reduzem o tamanho do balanço, contribuem para manter o retorno sobre o capital em níveis elevados. A expectativa da Empiricus é de que o Itaú encerre 2026 com ROI acima de 24%, superando inclusive o resultado de 2025.













