O mercado financeiro inicia esta terça-feira (06) com um tom mais contido, em meio a uma agenda econômica enxuta e à perda de tração do noticiário geopolítico envolvendo a Venezuela. Após o impacto inicial da operação conduzida pelos Estados Unidos no país vizinho, que gerou um rali pontual nas ações de petrolíferas. O tema entra hoje em modo de espera, até então sem fatos novos.
No exterior, os investidores acompanham a divulgação do PMI composto de dezembro nos Estados Unidos e na Europa, indicadores que ajudam a calibrar as expectativas sobre atividade econômica no início de 2026. No Brasil, o principal dado do dia é a balança comercial, divulgada às 15h, seguida por coletiva do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
A leitura predominante é de acomodação. A volatilidade observada nos últimos dias foi absorvida, e o mercado passa a operar com a percepção de que as chances de uma escalada militar no curto prazo diminuíram. A crise envolvendo o governo de Nicolás Maduro segue no radar, mas tende a ser monitorada em “stand by”, à espera de novos desdobramentos.
No cenário doméstico, a atenção se volta novamente para o caso do Banco Master. O ministro Jhonatan de Jesus autorizou o Tribunal de Contas da União (TCU) a realizar inspeções com “máxima urgência” nas dependências do Banco Central, com o objetivo de apurar todos os procedimentos adotados no processo de liquidação da instituição. O episódio reacende debates sobre governança, segurança jurídica e autonomia das instituições, temas sensíveis para a precificação de risco no país.
Destaques corporativos movimentam o noticiário
O PicPay, controlado pela família Batista, protocolou pedido de abertura de capital nos Estados Unidos. A fintech reportou lucro de R$ 270,4 milhões nos nove primeiros meses de 2025, um crescimento de 79% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita de R$ 7,26 bilhões. O IPO pode levantar até US$ 500 milhões, com as ações previstas para negociação na Nasdaq sob o código PICS.
Já a Randoncorp anunciou a assinatura de um contrato estimado em R$ 770 milhões para o fornecimento de vagões ferroviários ao projeto Sucuriú, da chilena Arauco, no Mato Grosso do Sul. O acordo deve impulsionar de forma relevante a receita da divisão de vagões em 2026 e 2027, ajudando a compensar o momento mais fraco do mercado de implementos rodoviários no curto prazo.
A JHSF, por sua vez, aprovou um aumento de capital de R$ 13,1 milhões, com a emissão de 2,43 milhões de ações ordinárias destinadas ao exercício de opções de compra previstas no plano aprovado em 2021. Com a operação, o capital social da companhia sobe para R$ 1,89 bilhão, com potencial diluição de aproximadamente 0,36%.
Para Marco Saravalle, mestre em finanças e CIO da MSX Wealth, o dia reforça uma mudança de foco do mercado: “No Brasil, o risco hoje é menos econômico e mais institucional. A defesa da independência do Banco Central será crucial para conter volatilidade. No exterior, o tema geopolítico sai do centro das atenções, e o mercado volta a olhar fundamentos, liquidez e dados de atividade.”
Do ponto de vista estratégico, o ambiente segue relativamente favorável ao risco, ainda que com cautela. “O cenário continua construtivo, mas exige atenção redobrada a ruídos políticos e regulatórios, que podem gerar movimentos pontuais de volatilidade”, conclui Saravalle.

