No Reino Unido, um ônibus está chamando a atenção por onde passa. O Bio-Bus é o primeiro veículo do mundo movido a biometano gerado a partir de esgoto tratado e restos de comida, rodando até 300 km com um tanque e ajudando a reduzir a poluição do ar sem soltar nenhum odor desagradável.
Como o “ônibus do cocô” transforma resíduos em combustível?
O combustível do Bio-Bus é produzido em uma estação de tratamento em Bristol, operada pela empresa GENeco. De acordo com o site da GENeco, esgoto e resíduos alimentares passam por um processo chamado digestão anaeróbia, onde bactérias decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio, gerando biogás rico em metano. Esse gás é refinado para remover CO₂ e impurezas, resultando em biometano comprimido.
Um único tanque permite que o ônibus de 40 lugares percorra até 300 km, usando o lixo anual de cerca de cinco pessoas, a mesma quantidade de resíduos que os próprios passageiros produzem em um ano.

O canal News Direct, com 382 mil inscritos, mostrou o lançamento do Bio-Bus. A reportagem destaca como o ônibus opera entre Bath e Bristol usando combustível gerado de esgoto. Confira:
Por que o ônibus não tem cheiro ruim se usa esgoto?
A grande provocação do projeto é transformar algo visto como tabu, fezes humanas e restos de comida, em combustível limpo. Para reforçar a mensagem, o Bio-Bus ganhou uma pintura divertida e o apelido popular de “poo bus”, chamando atenção sem ser repulsivo, como noticiou a BBC.
Apesar da origem do combustível, não há cheiro desagradável. O processo de “upgrading” remove impurezas e odores, e o que sai pelo escapamento é praticamente inodoro, com grande redução de poluentes locais.

Como a eficiência do biometano se compara ao diesel?
Em comparação a um ônibus a diesel, o Bio-Bus apresenta vantagens ambientais significativas. Conforme dados da GENeco, o biometano emite de 20% a 30% menos CO₂ na análise “do tanque à roda”. Quando se considera o ciclo completo (“do poço à roda”), a redução pode chegar a impressionantes 95% menos CO₂.
A tabela abaixo mostra a redução de emissões do Bio-Bus em comparação com um ônibus diesel convencional:
| Poluente | Redução com Biometano |
|---|---|
| CO₂ (tanque à roda) | 20% a 30% menos |
| CO₂ (poço à roda) | Até 95% menos |
| Óxidos de nitrogênio (NOx) | 80% a 90% menos |
Qual o impacto do Bio-Bus na qualidade do ar urbano?
A redução de óxidos de nitrogênio (NOx) é um dos maiores benefícios do Bio-Bus. Esses compostos são responsáveis por chuva ácida, formação de smog e problemas respiratórios. Ao cortar de 80% a 90% dessas emissões, o ônibus contribui diretamente para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.
Na prática, o Bio-Bus substitui parte do diesel por um gás renovável, corta poluição urbana e ainda dá destino nobre a um problema inevitável: o esgoto de milhares de pessoas.

Onde o Bio-Bus opera e qual é seu impacto real?
O Bio-Bus começou operando a rota entre Bristol e Bath, transportando cerca de 10 mil passageiros por mês. A experiência britânica inspirou planos de frotas inteiras de ônibus a biometano em Bristol e região, mostrando que a tecnologia é viável em escala.
Alguns números que mostram o potencial do projeto:
- 300 km de autonomia com um tanque cheio de biometano comprimido.
- 40 lugares por veículo, equivalente a um ônibus convencional.
- 5 pessoas/ano de resíduos para encher um tanque, fechando o ciclo entre passageiros e combustível.
- 10 mil passageiros/mês na rota Bristol-Bath, provando a aceitação pública.
- 8.500 casas poderiam ser abastecidas com o gás produzido na estação de tratamento.
- 90% menos NOx, contribuindo para metas de qualidade do ar.
O que a experiência britânica ensina sobre mobilidade e saneamento?
A experiência britânica virou vitrine global de como “resíduos” podem virar infraestrutura de transporte limpa, aproximando saneamento básico, energia renovável e mobilidade pública em um único projeto. O Bio-Bus prova que problemas urbanos podem ser resolvidos integradamente, com criatividade e tecnologia.
Mohammed Saddiq, gerente geral da GENeco, resume o espírito do projeto: “Veículos movidos a gás têm um papel importante na melhoria da qualidade do ar nas cidades britânicas, mas o Bio-Bus vai além: ele é realmente movido por pessoas que vivem na região.”

