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Movido a… “resíduos”? O primeiro ônibus do mundo abastecido com biometano gerado de esgoto tratado que roda 300 km, não tem cheiro ruim e limpa o ar da cidade

Laila Por Laila
26/02/2026
Em Engenharia

No Reino Unido, um ônibus está chamando a atenção por onde passa. O Bio-Bus é o primeiro veículo do mundo movido a biometano gerado a partir de esgoto tratado e restos de comida, rodando até 300 km com um tanque e ajudando a reduzir a poluição do ar sem soltar nenhum odor desagradável.

Como o “ônibus do cocô” transforma resíduos em combustível?

O combustível do Bio-Bus é produzido em uma estação de tratamento em Bristol, operada pela empresa GENeco. De acordo com o site da GENeco, esgoto e resíduos alimentares passam por um processo chamado digestão anaeróbia, onde bactérias decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio, gerando biogás rico em metano. Esse gás é refinado para remover CO₂ e impurezas, resultando em biometano comprimido.

Um único tanque permite que o ônibus de 40 lugares percorra até 300 km, usando o lixo anual de cerca de cinco pessoas, a mesma quantidade de resíduos que os próprios passageiros produzem em um ano.

Leia também: Os 3 andares na estrada: o ônibus gigante de 12,5 metros que queima 600 litros de diesel para levar passageiros para seus destinos

Esse gás é refinado para remover CO₂ e impurezas, resultando em biometano comprimido

O canal News Direct, com 382 mil inscritos, mostrou o lançamento do Bio-Bus. A reportagem destaca como o ônibus opera entre Bath e Bristol usando combustível gerado de esgoto. Confira:

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Por que o ônibus não tem cheiro ruim se usa esgoto?

A grande provocação do projeto é transformar algo visto como tabu, fezes humanas e restos de comida, em combustível limpo. Para reforçar a mensagem, o Bio-Bus ganhou uma pintura divertida e o apelido popular de “poo bus”, chamando atenção sem ser repulsivo, como noticiou a BBC.

Apesar da origem do combustível, não há cheiro desagradável. O processo de “upgrading” remove impurezas e odores, e o que sai pelo escapamento é praticamente inodoro, com grande redução de poluentes locais.

ara reforçar a mensagem, o Bio-Bus ganhou uma pintura divertida e o apelido popular de “poo bus”, chamando atenção sem ser repulsivo

Como a eficiência do biometano se compara ao diesel?

Em comparação a um ônibus a diesel, o Bio-Bus apresenta vantagens ambientais significativas. Conforme dados da GENeco, o biometano emite de 20% a 30% menos CO₂ na análise “do tanque à roda”. Quando se considera o ciclo completo (“do poço à roda”), a redução pode chegar a impressionantes 95% menos CO₂.

A tabela abaixo mostra a redução de emissões do Bio-Bus em comparação com um ônibus diesel convencional:

Poluente Redução com Biometano
CO₂ (tanque à roda) 20% a 30% menos
CO₂ (poço à roda) Até 95% menos
Óxidos de nitrogênio (NOx) 80% a 90% menos

Qual o impacto do Bio-Bus na qualidade do ar urbano?

A redução de óxidos de nitrogênio (NOx) é um dos maiores benefícios do Bio-Bus. Esses compostos são responsáveis por chuva ácida, formação de smog e problemas respiratórios. Ao cortar de 80% a 90% dessas emissões, o ônibus contribui diretamente para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.

Na prática, o Bio-Bus substitui parte do diesel por um gás renovável, corta poluição urbana e ainda dá destino nobre a um problema inevitável: o esgoto de milhares de pessoas.

Ao cortar de 80% a 90% dessas emissões, o ônibus contribui diretamente para a melhoria da qualidade do ar nas cidades

Onde o Bio-Bus opera e qual é seu impacto real?

O Bio-Bus começou operando a rota entre Bristol e Bath, transportando cerca de 10 mil passageiros por mês. A experiência britânica inspirou planos de frotas inteiras de ônibus a biometano em Bristol e região, mostrando que a tecnologia é viável em escala.

Alguns números que mostram o potencial do projeto:

  • 300 km de autonomia com um tanque cheio de biometano comprimido.
  • 40 lugares por veículo, equivalente a um ônibus convencional.
  • 5 pessoas/ano de resíduos para encher um tanque, fechando o ciclo entre passageiros e combustível.
  • 10 mil passageiros/mês na rota Bristol-Bath, provando a aceitação pública.
  • 8.500 casas poderiam ser abastecidas com o gás produzido na estação de tratamento.
  • 90% menos NOx, contribuindo para metas de qualidade do ar.

O que a experiência britânica ensina sobre mobilidade e saneamento?

A experiência britânica virou vitrine global de como “resíduos” podem virar infraestrutura de transporte limpa, aproximando saneamento básico, energia renovável e mobilidade pública em um único projeto. O Bio-Bus prova que problemas urbanos podem ser resolvidos integradamente, com criatividade e tecnologia.

Mohammed Saddiq, gerente geral da GENeco, resume o espírito do projeto: “Veículos movidos a gás têm um papel importante na melhoria da qualidade do ar nas cidades britânicas, mas o Bio-Bus vai além: ele é realmente movido por pessoas que vivem na região.”

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