Imagine uma cidade de 4.600 pessoas navegando pelo oceano a 55 km/h, com hospital, academia, banco e refeitório abertos a qualquer hora. Isso não é ficção: é o porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford, o maior e mais caro navio de guerra já construído na história, comissionado pela Marinha dos EUA em julho de 2017 e avaliado em cerca de R$ 75 bilhões.
Quais são as dimensões do maior porta-aviões nuclear do mundo?
O USS Gerald R. Ford (CVN-78) mede 337 metros de comprimento e 78 metros de largura no convés de voo, com deslocamento total de aproximadamente 100.000 toneladas. Para ter uma referência concreta, o comprimento do navio equivale a mais de três campos de futebol colocados lado a lado.
O custo de construção foi de US$ 13,3 bilhões, equivalente a cerca de R$ 75 bilhões na cotação de 2026, aproximadamente 30% acima da estimativa inicial. Segundo a Britannica, o Gerald Ford representa o ápice da engenharia naval moderna e o navio individual mais caro já construído pela humanidade.

Quantas e quais aeronaves esse porta-aviões transporta?
O Gerald Ford transporta uma asa aérea de até 75 aeronaves, com capacidade operacional para configurações que chegam a 90 unidades. O grupo aéreo embarcado inclui caças F/A-18 Super Hornet, aviões de patrulha e alerta antecipado E-2D Hawkeye e drones MQ-25 Stingray, que estendem o alcance de reabastecimento e vigilância da frota.
O sistema de catapultas eletromagnéticas EMALS (Electromagnetic Aircraft Launch System) substitui as antigas catapultas a vapor e permite lançar uma aeronave a cada 25 segundos, com maior precisão e menor desgaste nas estruturas dos aviões. É uma das inovações mais significativas em relação às gerações anteriores de porta-aviões americanos.
O canal Under Tech, com mais de 5,37 mil inscritos, mostra por dentro como é o cotidiano a bordo do maior porta-aviões do mundo, com detalhes sobre sua estrutura, escala real e capacidade operacional:
Como funciona a vida a bordo desse porta-aviões que parece uma cidade americana?
Com cerca de 4.600 pessoas a bordo entre tripulação, grupo aéreo embarcado e equipe de suporte, o Gerald Ford funciona como uma pequena cidade americana no meio do oceano. A infraestrutura foi ampliada em relação às gerações anteriores justamente para sustentar essa população flutuante com qualidade de vida operacional:
- Refeitórios 24 horas que servem até 18.000 refeições diárias, operando em turnos ininterruptos para atender a todos os horários de serviço.
- Hospital completo com salas cirúrgicas, UTI e dentista, capaz de realizar procedimentos de emergência sem depender de terra firme.
- Academias de ginástica e espaços de lazer ampliados em relação às embarcações anteriores da classe Nimitz.
- Lavanderia industrial, barbeiros, lojas e serviços bancários, estrutura comparável à de uma base militar terrestre de médio porte.

Qual é a propulsão nuclear do Gerald Ford e por que ela é revolucionária?
O porta-aviões é movido por dois reatores nucleares A1B, que garantem energia por até 25 anos sem recarga de combustível. Esse sistema permite ao Gerald Ford atingir velocidade superior a 30 nós, cerca de 55 km/h, desempenho extraordinário para uma estrutura de 100.000 toneladas em movimento no oceano.
A autonomia operacional é praticamente ilimitada em termos de propulsão: o navio só precisa retornar à base para reabastecimento de alimentos e munição. Essa independência energética é o que permite ao CVN-78 operar de forma autônoma por semanas consecutivas em qualquer oceano do mundo.

Uma comparação entre o Gerald Ford e as gerações anteriores de porta-aviões
O Gerald Ford inaugura uma nova classe de porta-aviões americanos com avanços significativos em relação à classe Nimitz, que dominou a Marinha dos EUA por décadas. A tabela abaixo compara os dois projetos nos principais aspectos operacionais:
| Característica | Classe Nimitz | Classe Gerald Ford |
|---|---|---|
| Comprimento | 332,8 m | 337 m |
| Deslocamento | ~104.000 t | ~100.000 t |
| Sistema de catapultas | A vapor (CATOBAR) | Eletromagnético (EMALS) |
| Reatores nucleares | A4W (2 reatores) | A1B (2 reatores, mais eficientes) |
| Tripulação estimada | Cerca de 5.000 | Cerca de 4.600 |
| Custo de construção | Até US$ 6,2 bilhões | US$ 13,3 bilhões |

O maior porta-aviões do mundo é também um símbolo do que a engenharia naval consegue fazer
O USS Gerald R. Ford não é apenas o maior porta-aviões já construído: é a prova de que uma estrutura de guerra pode abrigar uma comunidade inteira funcionando em plena capacidade, a qualquer distância de qualquer costa. Cada sistema a bordo foi projetado para que as 4.600 pessoas que vivem nele possam operar com eficiência máxima por semanas sem interrupção.
Para a Marinha dos EUA, o Gerald Ford representa uma aposta de R$ 75 bilhões na ideia de que o domínio dos oceanos ainda passa por estruturas físicas de escala impossível. E, pelo que demonstrou desde 2017, essa aposta tem se mostrado à altura do seu custo.

