O governo brasileiro oficializou em fevereiro de 2026 o programa Rotas de Integração Sul-Americana. Entre as obras prioritárias está uma ponte estaiada de R$ 500 milhões ligando Brasil e Paraguai. A estrutura fará parte da Rota Bioceânica de Capricórnio, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e encurta em 14 dias a viagem de produtos brasileiros para a Ásia.
O que é a Rota Bioceânica de Capricórnio?
A Rota Bioceânica de Capricórnio é um dos eixos do programa Rotas de Integração Sul-Americana. A Portaria GM/MPO Nº 26, publicada no Diário Oficial em 3 de fevereiro, instituiu oficialmente o programa.
Segundo o governo federal, a rota atravessa Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ela conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, ligando os dois oceanos.

Qual a importância da nova ponte estaiada?
A ponte orçada em mais de R$ 500 milhões será um elo central dessa rota. Ela vai substituir travessias lentas e aumentar o escoamento de grãos, carnes e produtos industrializados.
Hoje, o transporte para a Ásia depende do contorno pela América do Sul ou do Canal do Panamá. O processo pode levar semanas. Com a ponte e a Rota Bioceânica, a viagem até portos chilenos no Pacífico será reduzida em 14 dias.
Quais as principais características da ponte?
O projeto da ponte ainda está em fase de estudos, mas pontes estaiadas desse porte seguem padrões técnicos bem definidos. Com base em obras similares na região, é possível estimar algumas características que deverão fazer parte da estrutura.
- Extensão total – cerca de 1,5 a 2 quilômetros, com viadutos de acesso.
- Torres de sustentação com altura superior a 100 metros, ancoradas por cabos de aço.
- Duas faixas por sentido, acostamento e passarela para pedestres.
- Investimento superior a R$ 500 milhões, com recursos federais.
- Localização na fronteira Brasil-Paraguai, provavelmente em Mato Grosso do Sul.

Como a obra se encaixa no programa Rotas?
O programa Rotas de Integração Sul-Americana foi desenhado para estruturar a integração física do continente. Ele está organizado em cinco rotas estratégicas que abrangem diferentes regiões do país e seus vizinhos.
- Rota Ilha das Guianas: conecta Roraima e Amapá à Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela.
- Rota Amazônica: liga o Amazonas à Colômbia, Equador e Peru, com acesso ao Pacífico.
- Rota Quadrante Rondon: abrange Acre, Rondônia e partes do MT e MS, conectando Brasil ao Peru, Bolívia e Chile.
- Rota Bioceânica de Capricórnio: atravessa MS, SP, PR e SC, ligando Brasil a Paraguai, Argentina e Chile.
- Rota Bioceânica do Sul: compreende RS e sul de SC, conectando Brasil a Uruguai, Argentina e Chile.
A nova ponte Brasil-Paraguai é peça-chave da Rota Bioceânica de Capricórnio.
Quais os impactos econômicos esperados?
A redução de 14 dias na viagem para a Ásia representa uma economia logística bilionária. Soja, milho, carnes e minério chegarão mais rápido e barato aos mercados asiáticos. Para ilustrar os ganhos, a tabela abaixo compara os principais indicadores antes e depois da obra.
O que falta para a obra sair do papel?
A portaria que institui o programa já foi publicada. A ponte ainda depende de projetos executivos, licenciamento ambiental e definição do financiamento. O governo articula parcerias com o Paraguai e organismos como o BID.
Os estudos de viabilidade devem ser concluídos até o final de 2026, com início das obras previsto para 2027. A expectativa é que a ponte esteja em operação até o final da década.
Uma nova era para a integração regional
A nova ponte representa um salto histórico na integração física da América do Sul. Mais do que concreto e aço, ela materializa décadas de cooperação entre países. Para o agronegócio e a indústria, os ganhos em tempo e custo serão sentidos na prática, aproximando a América do Sul dos grandes mercados asiáticos.

