A Vale (VALE3) reportou um quarto trimestre de 2025 marcado por contraste entre resultado contábil e desempenho operacional. A mineradora registrou prejuízo líquido de aproximadamente US$ 3,8 bilhões no 4T25, mas entregou indicadores operacionais mais fortes do que o esperado pelo mercado, principalmente em geração de caixa e eficiência.
Segundo análise do Fast Report MSX, os números vieram ligeiramente acima do consenso dos analistas, com destaque para o fluxo de caixa livre e para o desempenho operacional de algumas divisões.
O EBITDA ajustado da Vale somou US$ 4,834 bilhões, cerca de 5% acima das estimativas do mercado (US$ 4,615 bilhões).
A surpresa positiva não veio de preços ou volumes — que já estavam incorporados às projeções —, mas de eficiência operacional e controle de custos.
De acordo com a MSX, “a surpresa veio essencialmente de eficiência operacional e melhor desempenho em algumas divisões”, reforçando a resiliência da companhia mesmo em um ambiente mais desafiador para commodities.
A leitura do mercado é que o prejuízo contábil não reflete deterioração estrutural do negócio, mas fatores não recorrentes e ajustes financeiros.
Segmentos: cobre e níquel compensam minério de ferro
O trimestre mostrou uma mudança relevante no perfil operacional da companhia.
Metais para transição energética (cobre e níquel):
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Desempenho bem acima do esperado
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Principal vetor positivo do resultado
Minério de ferro:
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EBITDA abaixo das estimativas
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Pressionado por preços e dinâmica de demanda
Despesas corporativas:
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Impacto negativo maior que o previsto
Para a MSX, o saldo final foi positivo, sustentado pela disciplina operacional e pelo controle de custos.
Essa dinâmica reforça uma mudança estrutural na tese de investimento: a Vale passa a depender menos exclusivamente do minério de ferro.
Perspectivas: minério preocupa no curto prazo
O relatório aponta cautela para o início de 2026. A expectativa é de piora sequencial no primeiro trimestre por fatores sazonais.
Entre os principais pontos:
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Queda sazonal das vendas de minério
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Aumento do custo caixa (C1)
Além disso, os preços já começaram a sinalizar pressão:
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preço médio atual cerca de 2% abaixo do 4T25
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preço spot aproximadamente 7% abaixo da média do trimestre
Ou seja, o minério de ferro continua sendo o principal risco de curto prazo para a ação.
Metais energéticos viram pilar estratégico
Enquanto o minério preocupa, os metais ligados à transição energética ganham importância.
Comparação com a média do 4T25:
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Cobre: +17% (spot +18%)
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Níquel: +18% (spot +19%)
Para a MSX, a diversificação para esses metais “começa a ganhar cada vez mais relevância no valuation”, reduzindo a dependência histórica da economia chinesa e do ciclo do aço.
Endividamento e dividendos
A dívida líquida expandida atingiu US$ 15,6 bilhões (antes do pagamento de dividendos do 1T26).
Com esse nível de alavancagem, a análise não vê espaço para novos dividendos extraordinários em 2026.
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