O mercado de luxo do Brasil ultrapassou uma barreira simbólica em 2025: a dos R$ 100 bilhões. Em 2024, o faturamento foi de R$ 98 bilhões, segundo a pesquisa A Nova Era do Mercado de Luxo, da Bain & Company. Com a previsão de alta de 7% nas vendas do ano passado, projeção feita pela consultoria Euromonitor, o setor se aproximou dos R$ 105 bilhões. Em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS, Marcelo Chirico, especialista no segmento luxo, afirma que o mercado pode se aproximar de R$ 120 bilhões e até chegar a R$ 130 bilhões, em 2026. Em 2024, ele era de R$ 41 bilhões.
Mesmo com os números do ano passado ainda sendo consolidados, o movimento mostra o potencial do setor no país. Entre 2022 e 2024, pelo levantamento da Bain & Company, o crescimento médio anual foi de 12%, quatro vezes superior ao da média mundial (3%). Dentro do luxo, os subsegmentos de maior peso são Moda & Itens Pessoais, Imóveis e Automóveis. Cada um movimentou em torno de R$ 21 bilhões, em 2024. Saúde (R 14 bilhões) e Aviação (R$ 6 bilhões) formam o Top 5.
Em termos percentuais, os maiores crescimentos foram registrados nos segmentos de Automóveis (18%), Hotéis & Experiências (16%), Saúde (15%), Imóveis (13%) e Iates (12%). O especialista Chirico afirma que o setor, apesar da performance acima de qualquer indicador macroeconômico ou do varejo em geral, traz também desafios, principalmente relacionados à pressão cambial e à carga tributária sobre os chamados itens supérfluos. Por outro lado, ele avalia que o potencial acordo Mercosul–União Europeia pode aliviar parte dessas tarifas nos próximos anos.
GERAÇÃO PRATEADA – Outro estudo recente que joga luz sobre esse universo foi divulgado no fim de novembro pela Serasa Experian, realizado por meio da plataforma de inteligência de dados Insights Hub, que identificou 7,5 milhões de clientes premium no Brasil. Destes, metade tem mais de 49 anos, o que evidencia o peso da chamada Geração Prateada no luxo. Para Gustavo Monteiro, diretor da datatech, “esse público tem alta capacidade de gasto e hábitos que mesclam sofisticação, planejamento e conveniência”.
Entre os consumidores premium identificados pela Serasa Experian, predominam homens (56%), 57% possuem renda superior a R$10 mil mensais, 76% são heavy users de cartões de crédito premium, 64% são investidores e 62% são viajantes. Mapear esse perfil é mais do que trabalhar apenas dados, mas entender suas motivações de consumo. Segundo Monteiro, os dados de comportamento e estilo de vida complementam a leitura financeira tradicional. “Isso permite entender o consumidor premium de forma mais completa, indo além do poder de compra”, afirmou Monteiro.


Pelo lado da oferta, o setor enfrenta um problema crônico de todo o varejo: mão de obra. No caso do luxo, segundo o relatório Future of Luxury 2025, elaborado pela Backslash (unidade de inteligência cultural da TBWA\Worldwide) com a agência 180 Luxe, 47% dos principais diretores executivos da Europa consideram a escassez de mão de obra qualificada um dos maiores estressores na cadeia de suprimentos.
Outro ponto importante destacado no relatório é o que os autores chamam de “demanda pela transparência dos bastidores”. Se as marcas não fornecerem esse tipo de transparência, afirmam os autores, pessoas e publicações farão isso por elas. E citam como exemplo a investigação feita pela Bloomberg e publicada em março de 2024 sobre a grife Loro Piana. A reportagem mostrou que a empresa do grupo LVMH, que vende um suéter de US$ 9 mil feito com a melhor lã de vicunha do mundo, paga a seu fornecedor, uma vila peruana inteira, o equivalente a US$ 280 pela fibra para fazê-lo. “Em breve, as marcas serão legalmente obrigadas a permitir a rastreabilidade total.”
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