A Link School of Business, universidade brasileira voltada à formação de empreendedores, aprovou uma captação de R$ 55 milhões para financiar sua expansão internacional. O aumento de capital foi aprovado em assembleia da companhia e avalia a empresa em R$ 550 milhões. Boa parte dos recursos virá da base atual de acionistas, mas a Link também pretende atrair novos investidores.
O fundador e CEO, Alvaro Schocair, afirmou que a captação já nasce praticamente concluída. Segundo ele, cerca de 60% dos acionistas demonstraram interesse em exercer o direito de preferência e outros R$ 7 milhões já estão comprometidos após reuniões com investidores.
Essa é a segunda captação da história da Link desde sua fundação, há seis anos. Na rodada inicial, a empresa levantou R$ 7,5 milhões com 43 investidores pessoa física. Entre eles estavam o CFO da Minerva, Edison Ticle, e o técnico de voleibol Bernardinho.
Esse grupo ficou com 20% do capital da empresa. Atualmente, Alvaro Schocair detém 65% da companhia, sua sócia Luísa Azevedo possui 10%, e nove executivos da empresa dividem os 5% restantes. Com a nova rodada, a participação de Schocair será diluída, mas ele continuará com o controle do negócio.
A criação da Link foi inspirada em modelos internacionais de ensino voltados ao empreendedorismo. Schocair afirma que decidiu fundar a instituição após conhecer escolas que priorizam a formação de empreendedores e perceber uma lacuna no Brasil para esse tipo de ensino.
A metodologia da Link é estruturada em quatro pilares principais. O primeiro envolve aulas de negócios, com disciplinas como finanças, marketing, gestão de pessoas e tecnologia. O modelo se aproxima de uma escola tradicional de administração, mas utiliza um método mais prático, baseado em projetos, estudos de caso e participação de empresas.
O segundo pilar é voltado ao desenvolvimento de habilidades comportamentais. Os alunos participam de programas de autoconhecimento, definição de objetivos pessoais e aulas de gestão pessoal e consciência social. Também fazem parte da formação conteúdos sobre empatia, criatividade, oratória e etiqueta profissional.
O terceiro pilar é o venture capital. A faculdade mantém uma aceleradora de negócios com um fundo que investe em startups criadas pelos próprios alunos. Até agora, cerca de 200 startups foram desenvolvidas dentro da instituição e aproximadamente 20 receberam investimentos da aceleradora.
O quarto pilar é a internacionalização. A Link possui atualmente três campi fora do Brasil, localizados em Boston, no Vale do Silício e em Madrid. O plano da instituição é chegar a 15 unidades internacionais nos próximos três anos.
Para 2026, a estratégia inclui abrir dois novos espaços, um nos Estados Unidos e outro na Ásia, possivelmente em Xangai. Esses espaços funcionam como centros de imersão para os alunos, que podem participar de programas de aproximadamente dois meses nas cidades, estudando em universidades parceiras e realizando atividades específicas organizadas pela instituição.
Os estudantes podem participar de quantos programas internacionais desejarem durante a graduação. Os alunos que passam pelo campus de Palo Alto, por exemplo, têm aulas em universidades como Stanford e Berkeley. Em Boston, participam de atividades acadêmicas em instituições como Babson e Harvard. Já em Madrid, estudam em parceria com a IES.
Segundo a instituição, esses espaços internacionais não geram receita imediata, mas ampliam o acesso a professores estrangeiros, conexões com mercados internacionais e oportunidades de captação de investimentos para os alunos. Além disso, os centros também são utilizados para hackathons e cursos específicos, o que gera receitas adicionais para a escola.
Atualmente, cerca de 95% da receita da Link vem das mensalidades pagas pelos alunos, que somam R$ 13,5 mil por mês. O restante da receita é proveniente dos investimentos realizados pela aceleradora de venture capital, por meio de dividendos das startups investidas e eventuais saídas.
A Link possui 320 vagas de graduação aprovadas pelo Ministério da Educação e cerca de 1,2 mil alunos matriculados entre cursos de graduação e MBA. No último ano, a empresa registrou receita de R$ 130 milhões e EBITDA de R$ 50 milhões. A meta é alcançar faturamento de R$ 165 milhões neste ano.
Segundo o fundador, a estratégia da instituição não envolve aumentar significativamente o número de alunos, já que o modelo educacional é altamente individualizado. O crescimento do negócio deverá vir principalmente do sucesso das startups criadas por seus estudantes.
A projeção da empresa é que, quando a aceleradora alcançar entre 50 e 60 investimentos ativos, em um horizonte de 10 a 20 anos, o negócio de venture capital poderá superar as mensalidades como principal fonte de receita da instituição.













