A Fictor Holding Financeira entrou com pedido de recuperação judicial, após enfrentar uma deterioração acelerada de sua situação financeira nos meses seguintes à tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, em novembro de 2025. A operação foi suspensa depois de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.
No pedido apresentado ao Poder Judiciário, a Fictor afirma que a origem da crise estaria diretamente associada à repercussão midiática negativa envolvendo o nome do grupo após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master. Segundo a empresa, a exposição na imprensa teria provocado um descompasso temporário nos fluxos operacionais e levado à rescisão de contratos com fornecedores de serviços.
A aquisição do Banco Master previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões, por meio de um consórcio de investidores globais liderado pela Fictor, com o objetivo de reforçar a estrutura de capital da instituição. A operação, no entanto, foi interrompida após a decisão do Banco Central, anunciada em 18 de novembro de 2025, que determinou a liquidação do banco.
Saques e retração de parceiros da Fictor
De acordo com o documento judicial, a Fictor recebeu R$ 3 bilhões em aportes de sócios participantes até o dia 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Banco Master. A partir desse momento, o grupo relata ter enfrentado um volume atípico de pedidos de retirada, que alcançaram, até 31 de janeiro, cerca de 71,38% do montante inicialmente investido.
Segundo a empresa, a repercussão das notícias motivou parceiros, fornecedores, clientes e sócios a adotarem uma postura mais cautelosa, refletida principalmente nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs), instrumento utilizado para captação de recursos.
No pedido de recuperação, a Fictor afirma que diversos stakeholders passaram a exigir esclarecimentos detalhados sobre a estrutura societária do grupo, beneficiários finais, vínculos societários, diligências realizadas na tentativa de aquisição do Banco Master, além de eventuais exposições diretas ou indiretas a ativos relacionados à crise da instituição financeira.
Judicialização e bloqueios da Fictor
O grupo também relata que, após a intensificação das notícias sobre sua situação financeira, passou a enfrentar uma onda de judicialização, com sócios e credores ingressando com ações individuais e pedidos de arresto cautelar.
A holding afirma que as constrições patrimoniais têm potencial de atingir ativos considerados essenciais para a continuidade de suas atividades empresariais.
Impacto no mercado e queda das ações
Durante o mês de dezembro, a Fictor informou ter verificado impacto direto da crise sobre o valor de mercado das empresas do grupo. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, registraram uma queda aproximada de 50% entre os dias 17 de novembro e 1º de fevereiro, segundo dados apresentados ao Judiciário.
No pedido, a empresa afirma que passou a ser alvo de reportagens, colunas de bastidores e análises que questionaram a consistência da operação anunciada e o suposto papel do grupo no contexto da crise que envolvia o Banco Master.
Perfil do grupo
O Grupo Fictor atua nos setores financeiro, de infraestrutura e alimentos, com um portfólio de mais de 30 empresas e presença no Brasil, Estados Unidos e Europa.
A recuperação judicial marca um novo capítulo na cadeia de efeitos da liquidação do Banco Master, ampliando o impacto da crise para além do sistema financeiro e atingindo grupos empresariais ligados direta ou indiretamente à tentativa de aquisição da instituição.












