O desempenho dos IPOs no Brasil nos últimos anos evidencia um cenário desafiador para investidores que apostaram em empresas recém-listadas. Levantamento da consultoria Seneca Evercore mostra que, das 94 ofertas públicas iniciais de ações realizadas desde 2014, apenas 75 companhias continuam listadas na bolsa brasileira.
Entre essas sobreviventes, somente 17 acumulam valorização desde o IPO até 19 de fevereiro de 2026. O número se torna ainda mais restrito quando o retorno é comparado a benchmarks relevantes do mercado.
Resumo do desempenho dos IPOs no Brasil:
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94 IPOs realizados desde 2014;
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75 empresas ainda listadas;
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17 ações com retorno positivo;
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7 superam o Ibovespa;
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8 superam o CDI.
Esse panorama reforça que o desempenho dos IPOs no Brasil não tem sido homogêneo e, na maior parte dos casos, ficou abaixo das expectativas iniciais dos investidores.
Diferenças entre setores: como foi o desempenho dos IPOS no Brasil
A análise da consultoria divide as empresas em quatro grupos, de acordo com o retorno anual médio desde a abertura de capital.
- O primeiro grupo reúne as companhias com melhor desempenho, com crescimento médio anual composto de 9,7%, aliado a expansão relevante de receita e avanço consistente do lucro líquido.
- Já o segundo grupo apresenta retorno anual médio negativo de 5,5%. Apesar de conseguirem ampliar receita, essas empresas não demonstraram a mesma eficiência na conversão desse crescimento em rentabilidade.
- Nos grupos com pior performance, o cenário é mais desafiador. O terceiro grupo registra queda média anual de 19,6%, enquanto o quarto apresenta retração de 49,8%, indicando casos de destruição significativa de valor.
Maiores altas e maiores quedas desde o IPO
A dispersão de resultados também aparece quando se observam os extremos do levantamento. Algumas empresas conseguiram entregar retornos expressivos ao investidor, enquanto outras sofreram perdas quase totais de valor de mercado.
Destaques de desempenho desde o IPO
| Empresa | Código | Variação (%) |
|---|---|---|
| Cury | CURY3 | +336,8 |
| Orizon | ORVR3 | +229,5 |
| Vibra | VBBR3 | +114,1 |
| Lavvi | LAVV3 | +107,6 |
| Neoenergia | NEOE3 | +104,7 |
Na outra ponta, companhias como Infracomm, Sequoia Log e Azul figuram entre as maiores quedas, com desvalorizações próximas de 100% desde a estreia na bolsa.
Crescimento de receita nem sempre gera valor
O estudo aponta que muitas companhias expandiram receita após a abertura de capital, mas enfrentaram compressão de margens e aumento de despesas, o que limitou a rentabilidade. Em casos mais extremos, problemas operacionais e financeiros reduziram a visibilidade de recuperação, impactando diretamente o preço das ações.
O levantamento reforça que, no mercado de capitais, a valorização de longo prazo depende não apenas de expansão, mas de eficiência operacional e capacidade de entregar resultados sustentáveis ao acionista.












