A espaçonave Challenger pousou no vale Taurus-Littrow em dezembro de 1972 carregando um jipe elétrico de 38 milhões de dólares, o Lunar Roving Vehicle. Os astronautas usaram o veículo para explorar crateras e vales por três dias, mas na volta ele ficou na superfície lunar, intacto e esquecido.
Por que a NASA abandonou um veículo de 38 milhões de dólares na Lua?
Imagine comprar um carro e precisar pagar o frete de volta de outro planeta. Trazer o Lunar Roving Vehicle de volta custaria mais do que deixá-lo lá. Além disso, o módulo lunar Challenger só tinha espaço para os astronautas e as rochas lunares coletadas.
Na prática, isso significa que a NASA preferiu priorizar a carga científica. Cada grama extra de combustível consumiria o espaço de rochas valiosas para estudo. Portanto, o Lunar Roving Vehicle cumpriu sua missão e virou um monumento silencioso à exploração espacial.

Qual é o estado atual do veículo após mais de 50 anos no vácuo lunar?
Você pode pensar que um carro abandonado há décadas estaria empoeirado e degradado. No entanto, a Lua não tem vento, chuva ou oxigênio para oxidar metais. Consequentemente, o veículo permanece exatamente como Eugene Cernan o estacionou em 1972.
A radiação solar intensa pode ter desbotado a pintura original. Por outro lado, a estrutura de alumínio continua intacta e as marcas dos pneus ainda riscam o solo lunar como se tivessem sido feitas ontem. É, sem dúvida, o carro mais bem conservado do universo.
O que torna o Lunar Roving Vehicle tão diferente de um carro comum?
O veículo media 3,1 metros de comprimento e pesava apenas 210 quilos na Terra. Na Lua, com gravidade seis vezes menor, ele pesava incríveis 35 quilos. Em outras palavras, parecia mais um brinquedo de parque de diversões do que um veículo espacial.
Cada roda operava com seu próprio motor elétrico de 0,25 cavalos. As baterias de prata-zinco não recarregáveis garantiam energia para 92 quilômetros de exploração. A Boeing desenvolveu o Lunar Roving Vehicle em apenas 17 meses, com um custo total de 38 milhões de dólares.

Quais foram os maiores desafios de dirigir um carro na Lua?
Dirigir na Lua não se parecia com uma volta tranquila no quarteirão. A gravidade baixa fazia o veículo quicar em cada irregularidade do terreno. Por isso, os astronautas se amarravam com cintos de velcro para não serem arremessados para fora.
A poeira lunar criou outro obstáculo perigoso. Na Apollo 17, Eugene Cernan quebrou o para-lama ao esbarrar com um martelo. A poeira cobriu astronautas, equipamentos e o painel do veículo. A solução veio de uma gambiarra: fita adesiva e mapas seguraram o para-lama improvisado.
Aqui estão os principais desafios que os astronautas enfrentaram:
- Gravidade reduzida: o veículo quicava e podia capotar a qualquer momento
- Poeira abrasiva: cobria equipamentos e dificultava a visão do terreno
- Limite de caminhada: não podiam se afastar além da distância que conseguiam voltar a pé
- Navegação difícil: sem GPS, usavam a posição do Sol como única referência
- Silêncio absoluto: sem ar para propagar som, o motor elétrico não fazia barulho algum

Estrutura de alumínio do jipe elétrico estacionado no solo lunar durante a missão Apollo 17 em 1972
Por que nunca mais voltamos para buscar o veículo?
A resposta é mais simples do que parece: ninguém pisou na Lua desde 1972. O Programa Apollo acabou cancelado por falta de verba e interesse político. Agora, as missões Artemis da NASA planejam retornar à superfície lunar ainda nesta década.
Se um dia os astronautas pousarem perto do Lunar Roving Vehicle, ele ainda dará partida? Quase certamente não. As baterias descarregaram há décadas e a radiação pode ter danificado os componentes eletrônicos, conforme explica a NASA. Mesmo parado, ele continuará sendo o carro mais isolado e valioso que a humanidade já construiu.

