O varejo brasileiro encerrou 2025 com retração de 0,5% no volume de vendas em relação a 2024, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS). O resultado reflete o esgotamento dos fatores que sustentaram o consumo ao longo do ano e reforça sinais de desaceleração da atividade no setor.
O indicador, que acompanha mensalmente a movimentação do comércio no país, mostra que a perda de tração ficou mais evidente no fim do ano. Em dezembro de 2025, as vendas caíram 1,5% na comparação com o mesmo mês de 2024 e recuaram 0,9% frente a novembro.
Quarto trimestre confirma desaceleração no varejo
No quarto trimestre de 2025, o volume de vendas do varejo apresentou queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024 e recuo de 0,9% na comparação com o terceiro trimestre.
O desempenho indica que o consumo perdeu força justamente no período tradicionalmente mais relevante para o setor, marcado por datas sazonais e maior circulação de renda.
Desempenho desigual entre os segmentos
Apesar do resultado negativo no agregado, alguns segmentos conseguiram avançar ao longo de 2025.
- Móveis e Eletrodomésticos lideraram os ganhos, com alta de 2,4%;
- Artigos Farmacêuticos (+1,5%);
- Material de Construção (+0,9%);
- Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (+0,3%).
Na outra ponta, o desempenho foi pressionado por quedas expressivas em:
- Combustíveis e Lubrificantes (-5,7%);
- Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-4,6%);
- Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-4,3%);
- Vestuário e Calçados também fechou o ano no negativo, com recuo de 0,4%.
Em dezembro, apenas três dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento: Material de Construção (+1,7%), Artigos Farmacêuticos (+0,6%) e Combustíveis e Lubrificantes (+0,3%). As maiores quedas no mês foram registradas em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-5,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (-3,4%) e Hipermercados e Supermercados (-3,2%).
O que os dados do varejo revelam?
Para Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike, esse resultado reflete um consumo mais cauteloso ao longo de 2025. Ele destaca que o varejo sentiu os efeitos combinados de juros elevados, crédito mais restrito e alto nível de endividamento das famílias, o que reduziu a propensão a compras de maior valor e dependentes de financiamento.
“Mesmo com um mercado de trabalho relativamente resiliente, a renda disponível ficou pressionada, levando o consumidor a priorizar itens essenciais e a postergar decisões de consumo. A queda no fim do ano, tradicionalmente um período mais forte, reforça que a desaceleração não foi pontual, mas resultado de um ambiente macroeconômico que limitou a expansão do varejo ao longo de todo o ano“, conclui.
Leitura para 2026
Os dados do IVS reforçam a leitura de um varejo mais sensível às condições financeiras, com consumo menos espalhado entre os segmentos e maior seletividade por parte das famílias.
O desempenho do fim de 2025 sugere que o setor entra em 2026 com desafios relevantes, especialmente em um ambiente de crédito mais restrito e pressão sobre a renda.













