Mesmo com a melhora do mercado de trabalho e o avanço da renda real, o Brasil começa 2026 convivendo com um paradoxo financeiro. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram aumento da renda do trabalho, enquanto informações do Banco Central indicam que o endividamento das famílias permanece acima de 48% da renda acumulada em 12 meses. Na prática, ganhar mais não tem significado, necessariamente, maior segurança financeira.
Para Ricardo Hiraki, especialista em educação financeira e sócio-fundador da Plano, a questão central não está no quanto se recebe, mas em como o dinheiro é administrado. “O problema não é quanto se ganha, mas a falta de clareza sobre como o dinheiro circula ao longo do mês”, afirma.
O cenário é corroborado por pesquisas da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor aponta que cerca de 76% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, com destaque para o uso frequente do cartão de crédito.
Esse comportamento tende a se intensificar no início do mês, quando parcelas, contas fixas e compromissos previamente assumidos consomem grande parte do salário antes mesmo de qualquer planejamento financeiro.
Os efeitos da desorganização financeira não se restringem ao ambiente doméstico. Também chegam às empresas. Estudos globais sobre bem-estar financeiro, conduzidos por consultorias como a PwC, indicam que o estresse relacionado ao dinheiro prejudica o foco, a produtividade e a qualidade da tomada de decisão no trabalho.
Segundo Hiraki, funcionários endividados costumam levar preocupações pessoais para o expediente, afetando desempenho e clima organizacional. “Educação financeira corporativa deixou de ser benefício acessório e passou a integrar estratégias de gestão”, observa.
A reversão desse quadro passa por medidas simples, porém contínuas. Mapear despesas, revisar dívidas e estabelecer metas financeiras claras tende a gerar resultados rápidos no orçamento. “Organização financeira não exige soluções complexas, mas disciplina e acompanhamento. Entender para onde o dinheiro vai devolve poder de escolha”, explica.
Nos últimos anos, também aumentou a procura por empresas especializadas em planejamento financeiro pessoal e corporativo, que oferecem diagnóstico, orientação prática e acompanhamento ao longo do tempo.
O especialista ressalta, contudo, a necessidade de critérios na escolha. “É essencial buscar empresas com metodologia clara, atendimento humano e foco em educação, não na venda de produtos financeiros”, diz.
Antes de mudanças estruturais no orçamento, o primeiro passo é construir uma base mínima de controle e informação. Isso começa com o levantamento dos gastos reais, registrando despesas fixas e variáveis para identificar excessos e custos despercebidos.
Em seguida, a revisão e renegociação de dívidas ajudam a reduzir o peso dos juros e liberar renda mensal, criando fôlego financeiro. Por fim, a definição de metas claras orienta decisões de consumo e reduz compras impulsivas, alinhando o uso do dinheiro aos objetivos de curto e médio prazo.
Três cuidados ao contratar apoio especializado
A escolha do serviço influencia diretamente o resultado do planejamento:
1 — Metodologia aplicada
Entender como o diagnóstico é realizado e como ocorre o acompanhamento ao longo do tempo.
2 — Atendimento personalizado
Soluções padronizadas tendem a falhar diante de realidades financeiras diferentes.
3 — Foco em educação financeira
O objetivo deve ser gerar autonomia, não incentivar crédito ou investimentos inadequados.
Para Hiraki, adiar o controle financeiro é um dos principais erros. “Ganhar mais sem organização cria apenas uma sensação temporária de alívio. É o planejamento que transforma renda em qualidade de vida”, conclui.
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