A produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,9% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados pelo IBGE. Este foi o segundo resultado positivo consecutivo, após alta de janeiro, acumulando expansão de 3,0% nos dois primeiros meses do ano.
Apesar da melhora na margem, o desempenho anual ainda mostra fragilidade. Em relação a fevereiro de 2025, a produção industrial apresentou queda de 0,7%, enquanto o acumulado do ano recuou 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor registra leve avanço de 0,3%.
Os dados indicam um movimento heterogêneo na atividade industrial brasileira, com recuperação pontual em alguns segmentos, mas ainda marcado por perda de dinamismo em diversos ramos da economia.
Alta da produção industrial foi disseminada entre setores
O crescimento da produção industrial na passagem de janeiro para fevereiro teve perfil disseminado. Segundo o IBGE, 16 dos 25 ramos pesquisados registraram expansão no período.
Entre as principais influências positivas estiveram:
- Veículos automotores, reboques e carrocerias: +6,6%
- Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis: +2,5%
- Máquinas e equipamentos: +6,8%
- Indústrias extrativas: +1,1%
- Produtos alimentícios: +0,8%
- Bebidas: +3,4%
- Móveis: +7,2%
- Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos: +3,1%
- Produtos têxteis: +4,4%
O setor automotivo foi um dos principais responsáveis pelo avanço recente da produção industrial, acumulando alta de 14,1% no primeiro bimestre de 2026, após quedas registradas no final de 2025.
Setores que puxaram o resultado negativo
Mesmo com a expansão mensal, alguns ramos ainda pressionaram negativamente o desempenho geral da produção industrial.
Entre as atividades que registraram queda na comparação mensal, destacam-se:
- Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -5,5%
- Produtos químicos: -1,3%
- Metalurgia: -1,7%
Esses segmentos exerceram influência negativa relevante na média da indústria no período.
Desempenho por categorias econômicas
O crescimento da produção industrial também foi observado nas quatro grandes categorias econômicas na comparação mensal.
- Bens de capital: +2,3%
- Bens intermediários: +1,1%
- Bens de consumo duráveis: +0,9%
- Bens de consumo semi e não duráveis: +0,7%
No caso dos bens de capital, que indicam investimentos das empresas, a alta de fevereiro representou o segundo resultado positivo consecutivo, acumulando expansão de 5,7% no período.
Comparação anual mostra fragilidade da indústria
Apesar da recuperação na margem, o quadro ainda é de fraqueza quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
Na comparação entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2025, a produção industrial caiu 0,7%, com resultados negativos em:
- 3 das 4 grandes categorias econômicas
- 20 dos 25 ramos industriais pesquisados
- 62,1% dos produtos analisados
Entre os segmentos que mais pressionaram o resultado anual estão:
- Veículos automotores: -7,3%
- Produtos químicos: -6,4%
- Máquinas e equipamentos: -11,0%
- Confecção de vestuário: -15,1%
- Produtos de metal: -8,4%
Segundo o IBGE, parte da queda também é explicada por fatores de calendário: fevereiro de 2026 teve dois dias úteis a menos do que o mesmo mês de 2025.
Produção industrial ainda está abaixo do pico histórico
Mesmo com os avanços recentes, a produção industrial brasileira ainda não recuperou o nível máximo registrado no passado.
De acordo com o IBGE, o nível de produção atual está:
- 3,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020);
- 14,1% abaixo do recorde histórico, registrado em maio de 2011;
Esse cenário evidencia os desafios estruturais da indústria brasileira, que enfrenta perda de competitividade, baixo investimento e mudanças na dinâmica da economia global.












