O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em decisão unânime anunciada na quarta-feira (18). O movimento, amplamente esperado pelo mercado, marca o início do ciclo de flexibilização monetária após um período prolongado de juros em patamar restritivo.
No comunicado, o Copom destacou que a política monetária contracionista tem produzido os efeitos esperados sobre a atividade econômica, que segue em trajetória de moderação. Ainda assim, o colegiado avaliou que o processo de convergência da inflação para a meta ainda não está completo, uma vez que as expectativas permanecem desancoradas e o mercado de trabalho continua resiliente.
Cenário externo no radar do Copom
Entre os fatores de maior atenção, o Banco Central deu peso relevante ao cenário externo. A escalada das tensões no Oriente Médio e a elevação dos preços das commodities, especialmente do petróleo, aumentaram a incerteza global e reforçaram riscos inflacionários. O Comitê mencionou a possibilidade de câmbio mais depreciado, maior persistência da inflação de serviços e impactos sobre cadeias globais de suprimentos como vetores que exigem cautela na condução da política monetária.
Por outro lado, o Copom também listou riscos baixistas para a inflação, como uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica, eventual enfraquecimento do crescimento global e queda nos preços de commodities. A leitura predominante entre analistas é que o balanço de riscos se tornou menos favorável nas últimas semanas, o que contribuiu para o início do ciclo de cortes em ritmo moderado.
Economistas avaliam decisão do Copom
Na avaliação de Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, a decisão reflete uma postura equilibrada do Banco Central ao iniciar o ciclo de cortes sem perder de vista o ambiente mais adverso.
“O comunicado reforça os riscos associados ao cenário externo e seus possíveis impactos sobre a inflação doméstica, o que justifica a manutenção de um tom cauteloso“, analisa.
Para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, o recado do Banco Central ao mercado é claro: o ciclo de cortes foi iniciado, mas sem compromisso com o ritmo daqui para frente.
“A redução da Selic reconhece os efeitos da política monetária sobre a desaceleração da atividade e sinais de alívio inflacionário, ao mesmo tempo em que o aumento das incertezas globais exige prudência adicional por parte de economias emergente“, avalia.
Na visão de Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, o início do ciclo em ritmo moderado reflete mudanças relevantes nas expectativas desde a última reunião do Comitê.
“A inflação recente apresentou deterioração em alguns indicadores e que o choque nos preços do petróleo tende a tornar o processo de desinflação mais desafiador nos próximos meses”, analisa.
Outras análises
Outros analistas também ressaltam a postura dependente de dados adotada pelo Comitê. Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o Banco Central indicou que o choque recente elevou os riscos inflacionários, mas não foi suficiente para interromper o plano de calibrar a política monetária.
Já Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, observa que o corte foi possível porque o cenário doméstico apresenta sinais de desaceleração da atividade e arrefecimento de preços, apesar da incerteza elevada no ambiente internacional.
A leitura predominante no mercado é que o Banco Central buscou equilibrar o compromisso com a convergência da inflação para a meta e a necessidade de suavizar os impactos sobre a atividade econômica. As projeções de analistas indicam expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização ao longo de 2026, com cortes graduais e condicionados à evolução do cenário externo, das expectativas de inflação e das condições fiscais e políticas domésticas.
Em síntese, a decisão do Copom sinaliza o início de uma nova etapa na política monetária brasileira, marcada por flexibilização gradual, forte dependência de dados e atenção redobrada à volatilidade global.













