O mercado de capitais brasileiro encerrou 2025 em trajetória de expansão, impulsionado pela combinação de juros elevados, maior demanda por fundos estruturados e pela migração de empresas para instrumentos alternativos de financiamento. O volume consolidado de FIDCs, FIAGRO e FIIs já supera R$ 1 trilhão, evidenciando o fortalecimento de estruturas reguladas e com menor volatilidade no portfólio dos investidores.
Apenas os FIDCs ultrapassaram R$ 814 bilhões em patrimônio líquido, consolidando-se como o principal veículo de crédito estruturado do mercado. Enquanto isso, os FIAGRO somaram mais de R$ 20 bilhões captados desde a criação da classe, impulsionados pela expansão do agronegócio e pela busca por lastros reais, e os FIIs mantiveram elevada liquidez, com mais de 2 milhões de investidores ativos.
Por que os fundos estruturados ganharam protagonismo?
Ao longo de 2025, o crescimento do crédito privado foi acompanhado pela profissionalização dos agentes do mercado. Administradores fiduciários, custodiante e gestores passaram a ocupar papel central na intermediação entre investidores, originadores e empresas, elevando a necessidade de infraestrutura financeira baseada em tecnologia, governança e compliance. Esse movimento também ampliou o número de fundos estruturados listados e registrados no período.
Nesse contexto, a maior exigência regulatória sobre custódia, controladoria e transparência intensificou a pressão por instituições capazes de operar com precisão operacional e aderência às regras da Comissão de Valores Mobiliários. A consolidação dos FIDCs como principal instrumento de financiamento reforçou a busca por operações com lastro definido e estruturação especializada.
Azumi acompanha a expansão e atinge R$ 3,1 bilhões
Inserida nesse ambiente mais técnico e competitivo, a Azumi Investimentos ampliou sua participação no mercado ao alcançar R$ 3,1 bilhões sob gestão. O resultado reflete a combinação entre tecnologia, experiência de mercado e seleção criteriosa de ativos, com processos rigorosos de análise de risco, governança e compliance, priorizando previsibilidade e consistência de resultados.
As operações são estruturadas de forma personalizada, considerando o perfil do investidor e a dinâmica de cada cedente. Essa abordagem contribui para maior eficiência operacional, controle de risco e aderência regulatória, em linha com o novo estágio de maturidade do crédito estruturado no país.
O que muda para 2026 no mercado de crédito?
O avanço dos fundos estruturados ocorre em meio a ajustes mais profundos no mercado de capitais. O endurecimento das exigências regulatórias, a padronização de processos e a crescente complexidade das operações elevaram o grau de supervisão sobre administradores fiduciários e gestores. A digitalização dos recebíveis e a diversificação dos originadores tornaram mais frequentes as atualizações normativas e reforçaram a necessidade de monitoramento contínuo das carteiras.
Para 2026, a expectativa é de um ambiente ainda mais orientado por métricas de risco, transparência e acompanhamento em tempo real das operações, com uso intensivo de dados e sistemas de controle. “Estamos entrando em uma fase em que o volume deixou de ser o único indicador relevante. O que realmente pesa agora é a capacidade de monitorar operações em um ambiente regulatório mais dinâmico, interpretar riscos com rapidez e garantir que nenhuma etapa seja executada sem lastro e sem controle”, afirma Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
Segundo o executivo, a indústria passa por uma transformação estrutural. “Quem atua nesse segmento precisa ajustar modelos internos, revisitar procedimentos e aceitar que o nível de escrutínio será cada vez maior”, conclui.











