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ECONOMIA

Exclusivo: Maílson da Nóbrega diz que visão econômica do PT trava crescimento do Brasil

O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega afirmou, em entrevista ao BM&C Talks, que o PT permanece preso a uma visão econômica ultrapassada e que isso ajuda a explicar, na avaliação dele, parte dos obstáculos ao crescimento sustentado do Brasil.

Ao comentar os fatores que, em sua leitura, travam a economia brasileira, Maílson foi direto.

Outro fator que inibe o crescimento da economia brasileira é o PT”, avalia.

A crítica central do economista é que o partido continua apostando em aumento de gasto público, maior intervenção do Estado e proteção excessiva da economia como motores do desenvolvimento. Para ele, essa visão ignora a experiência internacional e desconsidera a importância da produtividade, da concorrência e de um ambiente mais favorável ao investimento.

O PT continua achando que o que impulsiona a economia é o gasto público. Quem impulsiona a economia é a intervenção do Estado nas atividades econômicas”, disse.

Na entrevista, Maílson comparou a trajetória do PT à de partidos de esquerda europeus, que, segundo ele, revisaram suas teses econômicas ao longo do tempo. Na leitura do ex-ministro, essas legendas abandonaram formulações que dificultavam a geração de riqueza e passaram a aceitar princípios básicos de gestão macroeconômica, equilíbrio fiscal e funcionamento de mercado.

Pontos criticados por Maílson da Nóbrega na visão econômica do PT

  • aposta em gasto público como motor do crescimento;
  • defesa de maior intervenção estatal;
  • tolerância ao protecionismo;
  • dificuldade de atualizar o pensamento econômico;
  • resistência a reformas estruturais.

O economista afirmou ainda que o partido se manteve preso a ideias que já estavam equivocadas no momento de sua origem.

O PT se tornou prisioneiro de ideias, deixa-me repetir, que já eram equivocadas em 1988”, declarou.

Para Maílson, esse modo de pensar também se reflete na postura diante do orçamento público. Segundo ele, permanece viva a lógica de ampliar programas e despesas sem o mesmo compromisso com produtividade, capacidade de financiamento e sustentabilidade fiscal.

Durante a entrevista, o ex-ministro disse que não é contra políticas sociais, mas argumentou que elas precisam ser compatíveis com as condições reais do país. A crítica, portanto, não recai sobre o objetivo de redução da pobreza, mas sobre o instrumento escolhido para isso.

Na visão dele, enquanto o debate público seguir centrado na expansão do gasto como resposta automática para desigualdade e baixo crescimento, o país continuará distante de uma agenda voltada à produtividade, à eficiência e à construção de riqueza de longo prazo.

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MAILSON DA NÓBREGA
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado