O mercado de trabalho dos Estados Unidos mostrou sinais de desaceleração em dezembro. O payroll divulgado nesta sexta-feira (09) apontou a criação de 50 mil vagas, abaixo do consenso do mercado, que projetava 60 mil novos postos de trabalho no período.
Apesar do número mais fraco de geração de empregos, a taxa de desemprego recuou para 4,4%, melhor do que a expectativa de 4,5% e abaixo do patamar registrado anteriormente, indicando alguma resiliência do mercado de trabalho americano.
Payroll mostra comportamento dos salários
Outro ponto de atenção do relatório foi o comportamento dos salários. O salário médio por hora avançou 0,30% em dezembro na comparação mensal, em linha com o esperado pelo mercado. O dado reforça a leitura de que, apesar da moderação na criação de vagas, a dinâmica salarial segue consistente, fator acompanhado de perto pelo Federal Reserve.
O relatório também trouxe revisões nos dados de novembro. A criação de empregos no mês anterior foi revisada para 56 mil vagas, ante as 67 mil divulgadas inicialmente. Já a taxa de desemprego de novembro foi ajustada para 4,5%, frente aos 4,6% informados anteriormente.
O que dizem os especialistas
Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o Payroll veio bem diferente do que o esperado. A mediana do mercado era uma projeção de 66 mil novos empregos e, na verdade, foram 50 mil.
“Isso vai fazer com que haja uma pressão por corte de juros no Fed e com que os investidores tomem risco. Então nós acreditamos que a partir de agora o mercado pode começar a subir, o índice já começou a melhorar e o dólar deve voltar caindo com os investidores buscando tomar risco diante dessa possibilidade maior de que o Fed corte juros nas próximas reuniões“, avalia.
Já na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, os dados do payroll de dezembro reforçam a leitura de que o mercado de trabalho americano segue aquecido, apesar da criação de vagas abaixo do esperado.
Para ele, a combinação entre desemprego menor, aceleração do crescimento salarial, de 3,6% para 3,8%, e uma composição de empregos concentrada em setores tradicionais, como restaurantes e saúde, afasta o cenário de deterioração rápida do mercado de trabalho que vinha sendo defendido por parte do debate político nos Estados Unidos.
“Os números enfraquecem o argumento de cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, já que não há evidência clara de enfraquecimento estrutural do emprego. Além disso, a pressão sobre a imigração, ao reduzir uma das principais fontes de mão de obra do país, tende a manter o mercado de trabalho mais apertado e os salários pressionados, o que reforça o desafio inflacionário e limita a velocidade de flexibilização monetária”, avalia Cruz.












