A inflação ao consumidor nos Estados Unidos voltou a mostrar sinais de desaceleração em novembro. O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 2,7% na comparação anual, abaixo dos 3,0% registrados anteriormente e também inferior ao consenso de mercado, que apontava alta de 3,1%.
De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), o CPI teve alta de 0,2% no período acumulado entre setembro e novembro, após avanço de 0,3% registrado em setembro. O índice cheio passou para 324,12 pontos, ante 324,80 na leitura anterior.
O núcleo da inflação (core CPI), que exclui alimentos e energia, também apresentou desaceleração. Na base anual, o indicador ficou em 2,6%, recuando de 3,0%. No acumulado entre setembro e novembro, o core avançou 0,2%, após alta de 0,3% em setembro.
O BLS informou que não houve coleta de dados em outubro de 2025, em razão da interrupção de recursos orçamentários do governo americano. Com isso, os números refletem a variação acumulada no intervalo de dois meses.
Energia e alimentos pressionam de forma distinta
Entre os principais componentes do índice, os preços de energia aceleraram em novembro, com alta mensal de 1,5%, após avanço de 0,6% em setembro. Na comparação anual, o subíndice de energia registra alta de 4,2%.
Já os preços de alimentos subiram 0,2% em novembro, desacelerando frente à alta de 0,5% observada em setembro. No acumulado de 12 meses, os alimentos apresentam alta de 2,6%.
Leitura para o mercado
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, apesar de o CPI de novembro ter vindo significativamente abaixo do esperado, a leitura do dado exige cautela. Segundo ele, o mercado ainda está saindo de um período de “cegueira econômica”, provocado pelo shutdown do governo americano, que durou 43 dias e levou ao cancelamento da divulgação do CPI de outubro.
“O relatório divulgado hoje não trouxe a fotografia típica de uma leitura normal de inflação. Não tivemos variações mensais completas, nem médias de três ou seis meses, que são fundamentais para avaliar a tendência”, afirmou.
O estrategista lembra que o Bureau of Labor Statistics precisou recorrer a fontes alternativas de dados, o que gera ressalvas quanto à acurácia da medição. Ainda assim, ele avalia que o resultado foi benigno.
“O mercado esperava CPI cheio de 3,1% e núcleo de 3%. Veio 2,7% e 2,6%, respectivamente. Isso alimentou o otimismo de que a inflação está arrefecendo o suficiente para permitir maior flexibilização da política monetária”.
Alves destaca que o dado impulsionou as apostas de corte de juros pelo Fed em março, cuja probabilidade saltou de cerca de 50% para perto de 70%, enquanto janeiro segue precificado como pausa.
“Vimos recuperação do mercado acionário, queda dos yields, especialmente entre os vértices de 2 a 7 anos, e leve recuo do dólar”, concluiu.












