O mercado financeiro reduziu a expectativa para a taxa básica de juros e também revisou a inflação para mais perto da meta, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central. A mediana das projeções atualizadas indica inflação mais comportada, mas ainda acompanhada por atividade econômica limitada e deterioração fiscal no horizonte.
A estimativa para o IPCA de 2026 caiu pela sétima semana consecutiva, para 3,91%, enquanto a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 1,82%, reforçando a leitura de desaceleração da economia.
Mercado reduz expectativa de juros, mostra Boletim Focus
A principal mudança do relatório foi na política monetária. O mercado reduziu a projeção para a Selic em 2026 para 12,13% ao ano, sinalizando expectativa de algum alívio monetário, ainda que lento.
Para os anos seguintes, a trajetória continua de queda gradual:
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2027: 10,50%
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2028: 10,00%
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2029: 9,50%
Mesmo assim, o nível projetado segue elevado em termos históricos, indicando que o Banco Central ainda deve manter postura cautelosa.
O economista Maykon Douglas destaca que a mediana para a taxa Selic caiu de 12,25% para 12,13%, mas a média dos últimos 5 dias úteis caiu para 12,00%. Ele avalia que vale aguardar o Focus da próxima semana para entender se a mediana dos últimos 30 dias úteis também cairá.
“De todo modo, minha projeção aponta para uma taxa Selic em 12,50% no fim deste ano, dado o fator político-fiscal e a rigidez na inflação de itens mais sensíveis à demanda“, avalia.
Câmbio e setor externo
O Boletim Focus também manteve estabilidade nas expectativas para o dólar. A moeda americana é projetada em R$ 5,45 ao final de 2026, permanecendo próxima desse patamar ao longo dos próximos anos.
No setor externo, o mercado espera:
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Déficit em conta corrente: – US$ 67,7 bilhões em 2026
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Superávit comercial: US$ 68,38 bilhões
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Investimento direto no país: US$ 75 bilhões
A economia brasileira continua projetada para crescer pouco. O mercado estima expansão de 1,80% em 2027 e 2,00% em 2028 e 2029.
Fiscal permanece como principal preocupação
O Boletim Focus reforça que o maior risco macroeconômico permanece sendo as contas públicas. A dívida líquida do setor público deve alcançar 70,2% do PIB em 2026 e subir para 78,5% em 2027.
O mercado ainda projeta déficit primário:
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2026: –0,50% do PIB
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2027: –0,41% do PIB
Já o resultado nominal, que inclui o pagamento de juros, permanece fortemente negativo, estimado em –8,58% do PIB em 2026.













