A ideia de que polvos são criaturas solitárias sempre foi praticamente um dogma na biologia marinha. Durante décadas, pesquisadores acreditaram que esses animais só se encontravam para acasalar e depois seguiam vidas isoladas no fundo do mar. No entanto, uma descoberta surpreendente na Austrália mudou completamente essa visão, revelando que esses cefalópodes podem viver em comunidades complexas, interagir com frequência e até disputar território.
O que é a cidade de polvos antissociais descoberta na Austrália?
Na Baía de Jervis, biólogos marinhos encontraram duas comunidades chamadas Octopolis e Octlantis, áreas com várias tocas construídas com conchas e restos de presas, formando uma espécie de bairro submarino.
Em alguns momentos, até 14 indivíduos foram observados ocupando o mesmo espaço, algo que contraria completamente o que a ciência acreditava sobre o comportamento desses animais.

Quais comportamentos surpreenderam os cientistas?
O biólogo marinho David Scheel e sua equipe registraram comportamentos sociais raramente vistos antes em cefalópodes, documentados em gravações subaquáticas durante mergulhos científicos na região.
Confira os principais comportamentos registrados:
- Disputas por território e expulsão de rivais das tocas
- Perseguições, sinais corporais e comportamentos de acasalamento
- Interações frequentes entre múltiplos indivíduos no mesmo espaço
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Como os polvos constroem essa cidade submarina?
A estrutura não foi planejada, mas surgiu gradualmente. Os animais utilizam restos de conchas de moluscos que comeram para reforçar o fundo do mar e criar abrigos, acumulando material até formar uma base sólida com várias tocas próximas.
Esse comportamento levou cientistas a chamarem os polvos de “engenheiros ambientais”, pois eles modificam ativamente o ambiente ao redor para facilitar a construção de abrigos.

Que fatores favorecem a formação dessas comunidades?
A existência dessas comunidades sugere que comportamentos sociais complexos podem surgir em animais muito diferentes entre si, segundo os pesquisadores envolvidos no estudo.
Veja os fatores ambientais que parecem favorecer esse tipo de agrupamento:
O que ainda falta descobrir sobre essa cidade submarina?
Os pesquisadores ainda investigam se essas comunidades são raras ou se podem existir em outras regiões do oceano. Também não está claro se os polvos desenvolvem alguma forma de cultura comportamental transmitida entre gerações.
Estudar esses locais pode ajudar a entender melhor a inteligência dos cefalópodes e como comportamentos sociais surgem em animais que evoluíram de forma completamente diferente dos vertebrados.


