A Groenlândia está se movendo e encolhendo de forma real e mensurável. Satélites e sensores de GPS científico de alta precisão registram deslocamentos milimétricos que revelam mudanças profundas na maior ilha do planeta, e os dados vão muito além do que se imaginava.
Por que a Groenlândia está se movendo?
A explicação envolve dois processos naturais simultâneos: a tectônica de placas e o reajuste isostático pós-glacial. Pesquisadores analisaram 20 anos de dados e confirmaram que a ilha se desloca cerca de 2 centímetros por ano em direção ao noroeste.
O movimento é impulsionado pelo derretimento da calota polar, que reduz a pressão sobre a crosta terrestre, somado à reação do solo ao peso das geleiras que cobriram a região há cerca de 20 mil anos.

Como os satélites detectam esse movimento?
Cientistas instalaram uma rede de estações GNSS distribuídas ao redor da ilha para medir deslocamentos minúsculos na crosta. Os dados foram publicados no Journal of Geophysical Research: Solid Earth e representam a medição mais precisa já feita sobre o deslocamento horizontal da Groenlândia.
Veja o que a rede de monitoramento registrou:
- 58 estações GPS fixadas diretamente na rocha da ilha
- 20 anos de medições contínuas da posição da crosta terrestre
- Deslocamentos de milímetros detectados com precisão científica
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O que é o reajuste isostático e qual seu impacto?
O reajuste isostático pós-glacial ocorre quando o peso das camadas de gelo comprime a crosta por milênios e, ao derreter, o solo começa a subir lentamente, como um colchão voltando à forma original. Esse processo pode continuar por milhares de anos após o fim das glaciações.
No caso da Groenlândia, diferentes regiões sofrem tensões geológicas distintas ao mesmo tempo, criando uma deformação complexa e contínua em toda a ilha.

Quais regiões estão encolhendo e quais estão expandindo?
A resposta surpreende porque a ilha está, simultaneamente, encolhendo e crescendo em áreas diferentes. Enquanto algumas regiões são esticadas, outras são comprimidas, gerando uma deformação irregular ao longo de todo o território.
A tabela abaixo resume os tipos de tensão observados pelos pesquisadores:

O que esse movimento significa para o futuro do planeta?
Compreender esse fenômeno é essencial para modelos climáticos e previsões do nível dos oceanos. Quanto mais precisas forem as medições, maior será a capacidade científica de antecipar transformações no Ártico e em todo o planeta.
Os dados coletados também têm aplicações práticas diretas, como a atualização de mapas geográficos, a compreensão do impacto do derretimento do gelo na crosta terrestre e a previsão da elevação do nível global dos oceanos.

