O famoso Maciço Tamu é uma gigantesca estrutura geológica adormecida nas profundezas que reescreveu os modelos mundiais de placas tectônicas, revelando-se como um verdadeiro supervulcão submerso localizado a leste do Japão e possuindo uma área superficial incrivelmente equivalente à soma da Grã-Bretanha e da Irlanda no fundo do mar.
As dimensões monumentais do supervulcão submerso no noroeste do Pacífico
Com uma área total de aproximadamente 310.000 quilômetros quadrados, esse colosso de pedra domina completamente a região conhecida como elevação de Shatsky. O seu topo repousa a cerca de 1.980 metros abaixo da superfície oceânica, enquanto a base afunda por impressionantes 6,4 quilômetros de profundidade na crosta terrestre.
Essa proporção colossal faz com que a estrutura seja 60 vezes maior que o vulcão ativo Mauna Loa, localizado no Havaí. Para entender a escala astronômica dessa montanha, organizamos as suas medidas oficiais de acordo com os dados geofísicos registrados em listas precisas:
- Altura total do fundo ao cume: Alcança a marca de 4.460 metros de elevação.
- Área de cobertura principal: Ocupa impressionantes 310.000 quilômetros quadrados.
- Extensão do domo arredondado: Mede cerca de 450 por 650 quilômetros de diâmetro.
- Profundidade exata do topo: Fica a 1.980 metros submersos no oceano escuro.

Como a descoberta de 2013 classificou a estrutura como um vulcão único?
A formação geológica foi oficialmente documentada e batizada em referência à universidade Texas A&M pelo pesquisador geofísico William Sager. Inicialmente, os cientistas acreditavam cegamente que a área era um platô oceânico comum composto por múltiplos pequenos vulcões agrupados na mesma região marítima.
Em setembro de 2013, um anúncio na revista Nature Geoscience chocou o mundo ao classificar a área como o maior vulcão único da Terra. Essa teoria baseada em erupções efusivas centrais colocava o supervulcão submerso em pé de igualdade com o gigantesco Olympus Mons de Marte em termos de volume e massa planetária.

A reviravolta de 2019 e o novo modelo magnético do supervulcão submerso
A ciência exige revisões constantes e uma nova expedição a bordo do navio Falkor coletou quase 2 milhões de medições magnéticas na região durante o ano de 2019. O resultado do mapeamento rigoroso revelou blocos crustais com polaridade magnética oposta dispostos em um padrão estritamente linear no fundo do oceano.
Esse comportamento magnético provou que o gigante não era um vulcão em escudo tradicional, mas sim o resultado direto de uma expansão do fundo oceânico. O material magmático novo era adicionado no centro da dorsal de forma muito focada, enquanto a crosta mais antiga derivava lateralmente com o passar do tempo.

O que a Expedição 324 revelou sobre os fluxos de basalto na região?
Durante as intensas perfurações do Programa Internacional de Descoberta Oceânica, os cientistas extraíram fluxos de basalto massivos que chegavam a 23 metros de espessura. Essas amostras profundas confirmaram a ocorrência de erupções extraordinariamente efusivas durante o período Jurássico Superior.
A estrutura inteira foi forjada há 145 milhões de anos em um ambiente tectônico extremo conhecido como junção tríplice. Entenda os fatores que transformaram essa área isolada no maior laboratório natural de vulcanismo submarino do mundo inteiro:
- A junção de três placas que se separavam simultaneamente na bacia profunda do Pacífico.
- As fraturas crustais preexistentes que permitiram a subida de volumes gigantescos de magma quente.
- A interação pluma dorsal que controlou a expansão focada da fenda vulcânica marinha.
- A isostasia de Airy criando uma raiz crustal profunda de até 30 quilômetros de espessura.
Como as novas regras da tectônica mudam a visão sobre o supervulcão submerso
A reclassificação dessa estrutura enfraqueceu antigas analogias da geologia clássica, provando que platôs gigantescos podem nascer a partir da simples expansão de limites divergentes no fundo do mar. Os dados sísmicos recentes demonstram que nem as plumas isoladas nem as falhas comuns explicam o fenômeno geofísico por completo.
Para visualizar as dimensões astronômicas dessa descoberta e entender como o supervulcão submerso se compara às montanhas de Marte, selecionamos o conteúdo do canal TomoNews US, que possui mais de 2,66 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, a animação detalha a topografia massiva que impressionou os pesquisadores de Houston:
O legado do gigante adormecido para o futuro da geofísica global
As expedições continuam explorando as profundezas extremas para desvendar os mecanismos de vulcanismo intenso que moldaram a crosta antiga da Terra. Cada amostra de rocha extraída do abismo ajuda a reescrever os livros científicos sobre a formação de grandes províncias ígneas no registro geológico mundial.
Independentemente das nomenclaturas acadêmicas debatidas, o fato irrefutável é que uma montanha vulcânica extinta repousa em silêncio absoluto a quase 2 quilômetros abaixo da superfície. Esse supervulcão submerso serve hoje como um laboratório natural impecável para guiar o futuro da ciência moderna.

