No coração do Centro-Oeste, a antiga Vila Boa guarda quase três séculos de história entre ruas de pedra, casarões brancos e nove igrejas barrocas. Cidade de Goiás foi a primeira capital do estado e hoje ostenta o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, conquistado em 2001.
Da corrida do ouro à única vila bandeirante íntegra do país
A história começou em 1727, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, conhecido como Anhanguera, fundou o Arraial de Sant’Anna às margens do Rio Vermelho. Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a cidade conserva mais de 90% da arquitetura barroco-colonial original, o que a torna o único e último testemunho íntegro de um conjunto urbano bandeirante existente.
Em 1739, o povoado virou Vila Boa de Goiás. Em 1818, foi elevada à categoria de cidade e seguiu como capital estadual até 1937, quando o posto passou para Goiânia. Segundo a Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, a transferência da capital trouxe estagnação econômica, mas também preservou o casario, as ruas de pedra e o ritmo bucólico que hoje atraem visitantes do mundo inteiro.
O reconhecimento internacional veio em 16 de dezembro de 2001. De acordo com o IPHAN, o conjunto arquitetônico foi inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO durante a 25ª Convenção do Comitê do Patrimônio Mundial, em Helsinque, e é o primeiro núcleo urbano oficialmente reconhecido a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas.

O que fazer na antiga Vila Boa entre igrejas museus e cachoeiras
O roteiro combina herança colonial, literatura e ecoturismo no Cerrado. Entre as principais atrações, destacam-se:
- Museu Casa de Cora Coralina: residência da poetisa às margens do Rio Vermelho, com manuscritos, móveis e objetos pessoais. Cora viveu na casa até a morte em 1985 e ajudou a tornar a cidade reconhecida nacionalmente.
- Museu das Bandeiras: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, edifício do século XVIII, mantém o piso inferior original onde funcionava a prisão.
- Palácio Conde dos Arcos: antiga residência dos governadores construída entre 1735 e 1759, hoje museu com mobiliário de época e exposições históricas.
- Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte: abriga o Museu de Arte Sacra com obras do escultor barroco oitocentista José Joaquim da Veiga Vale.
- Serra Dourada: área de proteção ambiental administrada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com trilhas, cânions e mirantes para o pôr do sol.
- Procissão do Fogaréu: tradição da Semana Santa realizada desde 1745, segundo a Secretaria de Estado da Cultura. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado em 2023, reúne farricocos encapuzados que caminham descalços pelas ruas de pedra à meia-noite.
Já a culinária reúne ingredientes do Cerrado e receitas seculares da antiga Vila Boa. Vale provar:
- Empadão goiano: torta salgada recheada com frango, queijo, linguiça, pequi, azeitona e guariroba, servida como prato principal.
- Arroz com pequi: combinação clássica goiana que traz o fruto típico do Cerrado, marca da cozinha local.
- Galinhada com pequi: receita farta servida em restaurantes tradicionais do centro histórico.
- Doces de Cora Coralina: a poetisa vendia doces caseiros para sustentar a casa, e a tradição segue viva em mercearias e ateliês.
- Pamonha e curau: derivados do milho que aparecem nas barracas da Praça do Coreto, sobretudo no período junino.
Quer conhecer a histórica e charmosa Cidade de Goiás? Vai curtir esse vídeo do canal Rolê Família, onde o apresentador mostra o destino:
Qual a melhor época para visitar a Cidade de Goiás?
A Semana Santa é o momento mais procurado do ano na Cidade de Goiás. O Cerrado tem duas estações bem definidas: seca de maio a setembro e chuvosa de outubro a abril.
Estação marcada por fortes precipitações. Aproveite a programação cultural visitando os museus locais e a emblemática Casa de Cora Coralina.
É o momento mais procurado do ano! Vivencie a mística Procissão do Fogaréu durante a Semana Santa em meio ao agradável clima de transição.
O índice pluviométrico atinge a mínima anual. Desfrute dos dias secos e ensolarados para desbravar as belíssimas trilhas na Serra Dourada.
As temperaturas atingem o pico no Cerrado antes da volta das chuvas. Finalize as tardes quentes com tranquilas caminhadas ao entardecer.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à antiga capital goiana?
A cidade fica a cerca de 140 km de Goiânia e a aproximadamente 320 km de Brasília. De carro, o trajeto mais comum sai da capital goiana pela GO-070, com cerca de duas horas até o centro histórico. O aeroporto mais próximo é o Santa Genoveva, em Goiânia, com ligação rodoviária até a Cidade de Goiás. Linhas regulares de ônibus partem de Goiânia e Anápolis diariamente. Os últimos quilômetros revelam o relevo do Cerrado e o perfil da Serra Dourada no horizonte.

Suba as ladeiras da primeira capital goiana
A antiga Vila Boa reúne uma combinação rara no Brasil, com barroco preservado, tradições seculares vivas e o ritmo tranquilo do interior do Cerrado. Poucos lugares oferecem um centro histórico tão íntegro a apenas duas horas de uma capital estadual.
Você precisa subir as ladeiras da Cidade de Goiás e caminhar entre casarões, becos e igrejas para entender por que a UNESCO escolheu este pedaço do Centro-Oeste como Patrimônio da Humanidade.

