Um estudo que avaliou mais de 270 metrópoles colocou oito cidades da América Latina entre as 100 melhores do mundo para viver, visitar e investir. A lista reserva posições e subcategorias que surpreendem até quem conhece bem a região.
O que o ranking mede e por que ele importa
O World’s Best Cities 2026 é produzido pela consultoria canadense Resonance Consultancy em parceria com o instituto Ipsos. A 11ª edição ouviu 21 mil pessoas em 30 países e cruzou esses dados com métricas de desempenho urbano e engajamento em plataformas como Google, Instagram e TikTok.
A metodologia se apoia no Place Power Score, dividido em três grandes pilares: habitabilidade (transporte, parques, qualidade do ar), atratividade (cultura, gastronomia, vida noturna) e prosperidade (força econômica, universidades, conectividade aérea). A combinação de números duros com percepção real diferencia o estudo de rankings puramente econômicos ou turísticos.

Onde a América Latina aparece entre as 100 melhores
Oito cidades de cinco países diferentes conquistaram posições no top 100. O Brasil é o único da região com duas representantes. A tabela mostra cada cidade, sua colocação global e o ponto forte apontado pelo relatório.
| Posição | Cidade | País | Destaque no ranking |
|---|---|---|---|
| 18° | São Paulo | Brasil | 1° em vida noturna, top 5 restaurantes |
| 30° | Cidade do México | México | 1° em teatros e concertos |
| 39° | Buenos Aires | Argentina | Arquitetura, gastronomia, arte urbana |
| 42° | Rio de Janeiro | Brasil | Paisagem natural, megaeventos culturais |
| 51° | Bogotá | Colômbia | Conectividade aérea, cena artística |
| 65° | Lima | Peru | Gastronomia reconhecida mundialmente |
| 75° | Santiago | Chile | Estabilidade econômica, qualidade de vida |
| 76° | Medellín | Colômbia | Transformação urbana, transporte público |
Dados do World’s Best Cities 2026, publicado em novembro de 2025 pela Resonance Consultancy.
Como São Paulo superou Berlim e Nova York em vida noturna
São Paulo ficou na 18ª posição global e alcançou o 1º lugar do mundo na subcategoria vida noturna. A capital paulista superou cidades historicamente associadas à cena noturna, como Berlim, Nova York e Londres. Bairros como Vila Madalena e Baixo Augusta mantêm casas lotadas sete noites por semana.
O centro histórico é o coração dessa transformação. Espaços abandonados viraram bares e casas de show: o Bar do Cofre funciona no antigo cofre-forte de um banco estadual, e o Bar dos Arcos opera sob o Theatro Municipal. O Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu do Brasil, abriga um bar panorâmico de 360 graus e passa por reforma de R$ 100 milhões para ampliar espaços de entretenimento.
A gastronomia reforçou a posição: top 5 mundial em restaurantes. O retorno do Guia Michelin ao Brasil renovou a atenção sobre casas como D.O.M., Maní e Evvai, enquanto a La Liste 2026 incluiu 11 restaurantes paulistanos entre os mil melhores do planeta.

A Cidade do México lidera o mundo em teatros e concertos
Na 30ª posição global, a Cidade do México conquistou o 1º lugar mundial em teatros e concertos. O Palácio de Bellas Artes, o Auditório Nacional e a Arena CDMX sustentam uma programação ininterrupta. A cidade também ficou no top 5 em restaurantes, impulsionada pelo primeiro Guia Michelin dedicado ao México, que trouxe atenção internacional para casas como Pujol e Quintonil.
Na zona leste, o Parque Ecológico Lago de Texcoco está abrindo trilhas, ciclovias e áreas de observação de aves a poucos quilômetros do centro histórico. A Copa do Mundo de 2026 vai acelerar reformas no Estádio Azteca, reforçando a infraestrutura esportiva e turística da capital.
Megashows no Rio e na Colômbia com duas cidades na lista
O Rio de Janeiro (42°) se destacou pela combinação rara de paisagem natural e capacidade de atrair grandes eventos. Os megashows em Copacabana, como o de Madonna em 2024 e o de Lady Gaga em 2025, injetaram dezenas de milhões de dólares na economia carioca. A conectividade aérea internacional está sendo ampliada com foco na Copa do Mundo Feminina FIFA 2027.
A Colômbia é o outro país com duas representantes. Bogotá (51°) ganhou pontos por conectividade aérea e modernização urbana, tendo ultrapassado 1,4 milhão de turistas internacionais entre janeiro e setembro de 2025. Medellín (76°) aparece como referência de transformação: a cidade passou de uma imagem de violência para modelo de inovação social, com sistema de transporte integrado e crescente presença como centro tecnológico.

O que Londres faz para liderar há 11 anos consecutivos
Londres ocupa o topo do ranking pelo 11° ano seguido. A capital britânica ficou em 1° lugar em prosperidade, 2° em atratividade e 3° em habitabilidade. O gasto de turistas internacionais alcançou quase 22 bilhões de dólares em 2024. O top 5 global se completa com Nova York (2°), Paris (3°), Tóquio (4°) e Madri (5°), que desbancou Singapura pela primeira vez.
Os Estados Unidos colocaram 19 cidades entre as 100 melhores, mais que qualquer outro país. A Alemanha aparece em segundo com oito, seguida pela China com sete. A América Latina, com oito representantes de cinco nações, iguala a Alemanha em volume de cidades classificadas.

A região está subindo no mapa global
Oito cidades latino-americanas dividem espaço com as maiores metrópoles da Europa, da Ásia e da América do Norte. São Paulo bate referências europeias em vida noturna. A Cidade do México supera todas em programação cultural. Medellín prova que reinvenção urbana muda percepção internacional.
Vale acompanhar as próximas edições do ranking e repensar seus destinos, porque a América Latina está conquistando posições que poucos previam há uma década.

