O Salto Yucumã é um fenômeno geológico raro onde as águas não despencam para a frente, mas sim lateralmente ao longo de uma falha geológica. Localizado no Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul, este espetáculo da natureza marca a fronteira líquida entre o Brasil e a Argentina.
Por que o Salto Yucumã é considerado único no mundo
Esta queda d’água detém o título de maior cachoeira longitudinal do mundo porque sua extensão se desenvolve paralelamente ao curso do rio por 1.800 metros. Diferente das cataratas convencionais, o Rio Uruguai sofre uma ruptura em seu leito, criando um imenso degrau lateral que acompanha a margem argentina.
A formação é um corte profundo no basalto, moldado pela força erosiva da água ao longo de milhares de anos. Essa característica faz com que a paisagem mude drasticamente conforme o volume de chuva, já que o nível do rio pode subir e cobrir completamente a queda, transformando o salto em um leito plano e calmo.

Como funciona a dinâmica das águas e o “grande ronco”
O funcionamento do salto depende diretamente do regime hidrológico, onde a visibilidade da queda é garantida apenas quando o rio está em níveis baixos ou médios. O nome original, dado pelos povos indígenas Guarani, significa “grande ronco”, uma referência ao rugido contínuo que o impacto da água gera no cânion.
A estrutura do local é preservada dentro de uma das maiores reservas de mata atlântica do sul do país, garantindo um ecossistema intocado. Para compreender a escala e os custos envolvidos na preservação e acesso a este monumento natural, observe os seguintes dados:
- O ingresso para acesso ao parque custa R$ 80 por pessoa.
- A taxa de estacionamento para veículos é fixada em R$ 20.
- A altura média das quedas d’água varia em torno de 20 metros de altura.
- A trilha de acesso a partir do estacionamento principal possui cerca de 500 metros.
Qual é a importância da localização na tríplice fronteira
O Salto Yucumã está situado em um ponto estratégico de convergência geográfica entre os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a província de Misiones, na Argentina. Essa localização isolada permitiu que a floresta ao entorno permanecesse densa e fechada, protegendo a biodiversidade local.
O acesso ao local exige atravessar 15 km de estrada por dentro da mata fechada, revelando a força bruta da natureza que ainda dita as regras na região. A travessia entre os estados vizinhos é frequentemente realizada por balsas que cruzam o imponente Rio Uruguai, conectando cidades como Itapiranga ao território gaúcho.

Como o relevo moldou essa queda d’água paralela
A geologia do salto é resultado de um derrame vulcânico que criou uma fenda longitudinal, permitindo que o rio “caísse” de lado em vez de seguir seu curso natural. Esse fenômeno é raríssimo e exige que o observador esteja do lado brasileiro para visualizar a queda que acontece na margem oposta.
Para entender melhor este fato, o canal Hugo Corelli produziu um conteúdo onde o autor detalha os pontos principais desta aventura selvagem. O vídeo apresenta imagens aéreas que demonstram a imensidão da falha geológica e a força das corredeiras.
Conhecer lugares como este amplia nossa percepção sobre a grandiosidade dos processos geológicos que moldam o nosso continente. O aprendizado sobre a fragilidade e a força desses ecossistemas é essencial para que possamos admirar e respeitar o patrimônio natural brasileiro.

