A crença popular é verdadeira, mas com ressalvas geológicas fascinantes. Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, assenta-se sobre uma das maiores estruturas vulcânicas do planeta, uma caldeira colapsada de 80 milhões de anos que hoje abriga mais de 170 mil habitantes.
A ciência confirma se a cidade está mesmo na boca de um vulcão
Geologicamente, o município não está sobre um cone vulcânico clássico, mas dentro de uma “caldeira de abatimento”. Isso ocorre quando o teto de uma câmara magmática colossal desaba após esvaziar seu conteúdo, criando uma depressão geográfica cercada por montanhas.
O Complexo Alcalino de Poços de Caldas possui 30 quilômetros de diâmetro. Para efeito de comparação, a cratera do Vesúvio, na Itália, tem menos de 1 km. A escala aqui é tão vasta que a forma arredondada da borda só é plenamente visível através de imagens de satélite.

Como a energia geotérmica moldou o turismo de saúde local
A principal herança desse passado ardente não é o perigo, mas a riqueza hidrotermal. A água da chuva penetra em fraturas profundas, aquece-se devido ao calor natural da crosta e retorna à superfície enriquecida com enxofre e minerais a temperaturas que chegam a 45°C.
Desde o século 19, essa característica transformou a região em um destino de cura. A visita do imperador Dom Pedro II em 1886 consolidou a vocação da cidade como um spa natural a céu aberto muito antes do conceito moderno de bem-estar existir.
Quem se interessa pela geologia do Brasil vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Ciência Sem Fronteira, que conta com milhares de visualizações, onde o autor desvenda a lenda do vulcão em Poços de Caldas:
Existem riscos reais de uma nova erupção no território mineiro
Especialistas da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) e do Serviço Geológico do Brasil asseguram que o sistema está extinto. O “motor” magmático esfriou há milhões de anos e não há atividade sísmica que indique qualquer retorno.
O mito de que o vulcão está apenas “adormecido” é tecnicamente incorreto. O que resta hoje é apenas a cicatriz geológica no relevo e as fontes termais, sem pressão interna capaz de gerar explosões ou novos fluxos de lava.

O legado vulcânico oferece vantagens econômicas além do turismo
A geologia singular fez de Poços de Caldas uma potência na mineração de bauxita e zircônio. O solo vulcânico, naturalmente fértil, impulsionou ciclos econômicos que vão da agricultura de café especial premiado à extração de minério para a indústria tecnológica.
- O solo rico favorece plantações de café de altitude reconhecidas mundialmente.
- A arquitetura urbana aproveita o platô plano no fundo da caldeira.
- O anel de montanhas cria uma barreira natural contra ventos constantes.

