A lista do Master expôs uma série de pagamentos realizados pelo Banco Master a advogados, políticos consultorias e empresas de comunicação nos últimos anos. Documentos da declaração de Imposto de Renda da instituição, enviados à Receita Federal e posteriormente encaminhados à CPI do Crime Organizado no Senado, indicam repasses de centenas de milhões de reais a prestadores de serviços ligados ao banco.
Segundo os dados, somente em 2025 o Banco Master pagou aproximadamente R$ 304,5 milhões a advogados e escritórios de advocacia. Os registros indicam que ao menos 98 bancas jurídicas receberam recursos naquele ano, valores declarados em função dos impostos retidos na fonte após a emissão de notas de prestação de serviços.
A divulgação dessas informações ocorreu em meio às investigações sobre a situação financeira da instituição e às negociações para uma possível venda ou reestruturação do banco.
Escritório ligado à família Alexandre de Moraes aparece entre maiores valores
Entre os maiores beneficiários da lista do Master está o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
De acordo com os documentos, o escritório recebeu cerca de R$ 40,1 milhões apenas em 2025, totalizando R$ 80,2 milhões em dois anos em contratos com o Banco Master.
Em nota pública divulgada anteriormente, a advogada informou que o trabalho envolveu consultoria jurídica ampla, com atuação de uma equipe de 15 advogados, subcontratação de outros escritórios e a realização de 79 reuniões na sede da instituição financeira.
O escritório afirmou que não confirma informações consideradas incorretas ou divulgadas sem autorização.
Ex-presidente Michel Temer e outros escritórios também aparecem
A lista também menciona pagamentos a escritórios ligados a figuras públicas da política e do direito.
Entre eles:
- Michel Temer – cerca de R$ 10 milhões, segundo os registros; o ex-presidente afirmou que recebeu R$ 7,5 milhões por serviços de mediação jurídica.
- Marcus Vinicius Furtado Coelho, ex-presidente da OAB, escritório citado entre os que receberam valores do banco.
- Warde Advogados, sociedade fundada por Walfrido Warde, o escritório deixou a defesa de Vorcaro em janeiro de 2026.
- Escritório ligado a familiares de Ricardo Lewandowski, cerca de R$ 6,1 milhões por consultoria jurídica.
Consultorias econômicas de ex-ministros também receberam recursos
Os documentos também mostram pagamentos relevantes a consultorias ligadas a ex-ministros da Fazenda.
Segundo os registros:
- Empresas associadas a Henrique Meirelles receberam cerca de R$ 18,5 milhões.
- Empresas ligadas a Guido Mantega receberam aproximadamente R$ 14 milhões.
Ambos confirmaram a existência de contratos de consultoria e afirmaram que não tinham conhecimento de eventuais irregularidades envolvendo o banco.
Pagamentos também atingem consultorias políticas
A lista inclui ainda pagamentos a empresas de consultoria política. Entre os exemplos está a empresa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que teria recebido cerca de R$ 5,4 milhões em serviços de consultoria.
Já o escritório do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, aparece com valores registrados por serviços jurídicos ligados ao conglomerado financeiro.
A defesa de Rueda afirmou que a atuação teve caráter técnico e legal, com produção de pareceres, reuniões e atuação processual ao longo do período.
Empresas de mídia e publicidade também aparecem na lista
Além de advogados e consultorias, a lista do Master registra pagamentos a empresas de comunicação e publicidade.
Entre os valores citados estão:
- R$ 27,2 milhões ao portal Metrópoles e empresas ligadas ao empresário Luiz Estevão, em contratos classificados como patrocínio.
- Cerca de R$ 24 milhões a empresas do Grupo Massa, ligadas ao apresentador Ratinho, em ações publicitárias.
- R$ 9,9 milhões à empresa do jornalista Léo Dias, também por contratos de publicidade.
As empresas afirmaram que os valores correspondem a contratos comerciais regulares.
Pagamentos coincidem com tentativa de reestruturação do banco
Os repasses listados nos documentos ocorreram durante um período de forte pressão sobre o Banco Master. A instituição iniciou negociações para reestruturar suas operações e evitar eventual liquidação pelo Banco Central.
Nesse contexto, o BRB (Banco de Brasília) chegou a formalizar uma tentativa de compra da instituição. Um ano antes, em 2024, o banco público havia adquirido R$ 8 bilhões em carteiras de crédito do Master.
Caso segue sob análise no Congresso e por órgãos de investigação
Parte das informações sobre a lista do Master também aparece em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O material está atualmente sob análise:
- da CPI do Crime Organizado no Senado;
- de órgãos de investigação;
- e de autoridades regulatórias que acompanham a situação da instituição financeira.
A maioria dos citados afirma que os pagamentos correspondem a contratos formais de prestação de serviços, realizados dentro da legalidade.













